Será que o gatilho dos combustíveis é um tiro no pé?
Sexta, 06 de Dezembro de 2013

Nesta semana a Petrobras informou ao mercado que os próximos reajustes nos preços dos combustíveis não serão automáticos. As variações (repassadas às distribuidoras e por consequência revendedores e população) dependerão dos preços internacionais, da taxa de câmbio e origem do produto (se interno ou importado).

Como por ocasião da crise de 2008 em que o ex-presidente Lula disse que a crise internacional não passava de uma marolinha (mas o tsunami foi maior que meramente a ondinha quebrando em um lago pelo vento), esses dias atrás também era negado pelo governo federal a necessidade de reajuste nos combustíveis. Apesar disso, são fortes os indicadores de defasagem no preço praticado pela estatal do petróleo, bem como evidentes e de gerar perplexidade as manobras junto ao braço argentino para recentemente demonstrar robustez brasileira na balança comercial.

Cabe lembrar que um dos mecanismos geradores de inflação (sendo esta caracterizada como um aumento generalizado de preços) é exatamente a existência de indexação. A espiral inflacionária decorre de um aumento em virtude de reajustes que poderão vir a ocorrer, sendo essas expectativas em algum momento autogeradas. Perde-se a referência se a inflação decorreu de um aumento real de custos na economia, ou se esse aumento de custos veio da inflação.

Ora, o governo está justamente buscando desindexar, para a seu critério ‘permitir’ ou não a inflação, especialmente provocada por um insumo essencial para a economia e na vida de todos nós, tanto empresas como indivíduos, que são as fontes de energia para transporte, veículos e máquinas. O desagradável, no entanto, é que isso pode ser o estopim para aumentos em amplos setores e diversos bens de consumo e capital (máquinas e equipamentos).

Se nos EUA temos um galão de gasolina vendido a US$3,09 (o que equivalem a R$1,98/litro ao câmbio médio atual ou R$1,55 ao câmbio aproximado de semestres anteriores!), podemos nos perguntar por que o nosso está nos patamares que está. Alguns indicativos:

- a autossuficiência propagandeada efetivamente é meramente propaganda

- nossos custos de produção e comercialização são elevados e encarecidos pelos gargalos (infraestrutura é um deles)

- elevada carga tributária

Protejam os pés!

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