É preciso ganhar mais para gastar mais, ou gastar menos para o que se ganha?
Sexta, 20 de Dezembro de 2013

Nesta semana o governo federal anunciou recorde de arrecadação no mês de novembro. São os “grandes números” do tipo que não agradam muito.

Se você recebe determinada renda mensal, não precisa muito raciocínio para que saiba quanto do seu orçamento poderá ser gasto ou comprometido em despesas de custeio, lazer, poupança, entre outros. Da mesma sorte, se você quiser fazer um investimento a longo prazo, sabe que igualmente terá que poupar para isso. A propósito, a ordem é essa e não pedir aumento ou cobrar mais pelo mesmo serviço se precisa de mais recursos.

No entanto, isso parece não ser a mesma verdade no mundo público. É mais ou menos assim: gastei mais, então preciso de mais recursos, vou aumentar meu próprio salário, quase que autonomamente. Trocando em miúdos, o poder público gasta boa parte de sua arrecadação em custeio (destaque especial para as despesas de pessoal e de rolagem da dívida), tem sua capacidade de investimento minguada, mas a saída somos nós. Ou seja, é simples, emite uma conta para os cidadãos (e empresas) pagarem, os tributos.

O destaque para essa arrecadação “vitoriosa” foi fruto grande parte dos pagamentos de tributos em programas de refinanciamento (aqueles mesmos pagos pelos contribuintes e que só tem uma direção nas últimas décadas, o aumento constante).

Saliente-se que superavit primário significa o esforço dos governos via arrecadação e administração dos recursos públicos para que eles, além de pagar suas despesas, possam liquidar os juros da dívida.

E vejam como o mundo dá voltas (e pode voltar ao mesmo lugar, só que nesse caso com desvantagens): essa dívida foi gerada em parte pelas emissões que o governo efetuou em títulos públicos e financiamentos obtidos exatamente pelo excesso de gastos em relação às suas receitas, notadamente durante os anos 1980.

Parece que mais e mais devem ser aplaudidos os governantes que têm buscado nortear suas ações com base em modelos de gestão encontrados no setor privado. Esses são exemplos a serem seguidos tanto no público, quanto no privado.

Gaste o que estiver no seu orçamento!

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