Quando a burocracia do Estado emperra as possibilidades de desenvolvimento
Sexta, 04 de Setembro de 2015

O enunciado parece um contrassenso, pois a sociedade suporta a estrutura estatal para lhe servir e atender a seus anseios, e não o contrário.

Há alguns meses participei da inauguração de empreendimento, o maior em seu segmento em vários aspectos. Exemplar, desafiador, mas intrigante se compararmos isso ao que normalmente estamos acostumados. Refiro-me ao esforço privado em fazer as coisas ‘acontecerem’ para compensar, em geral, o excesso de burocracia e a carga a que, mesmo que inconscientemente, estamos onerados a cobrir, e vou trazer três casos verídicos para ilustrar isso.

Na referida inauguração, o deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa, o empresário que representa o grupo de investidores e o próprio governador do Estado, com enfoques diferentes, mas com um mesmo fundo de verdade, trataram do “estado que vai para a frente”, do exemplo que fora dado naquele empreendimento de como podemos ter uma sociedade pró-desenvolvimento. No entanto, esse exemplo das coisas que dão certo só aconteceu graças à persistência dos empresários, pois certamente sofreram muito para ‘empurrar’ as formalidades e os entraves (muitos certamente desnecessários) para avançar no projeto até se tornar realidade.

O segundo caso. Em uma entrevista recente, em canal nacional de notícias, a história de sucesso de um empresário no segmento de alimentação causou espanto. Não a entrevista em si, mas seu desfecho. Após um relato de todos seus desafios, das dificuldades e do sucesso obtido, tornando-o referência em uma área de modismo, os foodtrucks, perguntou o entrevistador mais ou menos assim: “e agora que você já tem quase dez caminhões espalhados e um modelo de negócio de sucesso, qual será sua ideia: ampliar, montar franquias...?”. Responde o empresário, para uma daquelas situações sem saída, ao repórter: “não, quero vender tudo e ir embora do país!”. E explicou, após a situação de constrangimento: “não aguento mais esse modelo de governo em que vivemos, não aguento mais o estilo sufocante sobre responsabilidades da iniciativa privada e empresários”. Pararam para pensar nisso? O cara tem tudo para consolidar seu negócio, já passou pelo pior, teoricamente teria motivos para festejar, mas não enxerga encontrar-se no lugar certo.

Por último, estava conversando com um funcionário de alto escalão de uma instituição financeira, justamente nos momentos de turbulência cambial recente. Entre explicações, informações de mercado e cenários, ele me diz o seguinte: “Minha filha está na melhor escola e, felizmente, no último ano. Depois disso, sugeri a ela, ‘vá embora para qualquer lugar desenvolvido no exterior!’ Já disse a ela, ‘tua geração está perdida, só vamos consertar esse país em outros 50 anos’ ”. Pode parecer excesso de pessimismo, mas deve ser respeitado e compreendido.

O resumo disso tudo é que vivemos em um descompasso entre a vontade de fazer os negócios prosperarem (dentro da legalidade e sem abrir mão das conquistas sociais justas) e a carga imposta pelo Estado, que justamente apenas é pesada e não conseguimos perceber benefícios na mesma proporção de nosso esforço e contribuição. Pode ser um desabafo para muitos, mas é a realidade.

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