O (des)preparo olímpico do Brasil
Sexta, 18 de Setembro de 2015

Conhecem aquela máxima que a prática leva à perfeição? Não parece o que tem acontecido com o governo brasileiro nos últimos anos. Desaprende a fazer as coisas, ou simplesmente acha que as leis de Economia não valem e que a ‘conta do almoço’ não viria.

Presenciei em certa oportunidade a palestra do grande campeão de basquete, Oscar Schmidt. O que ele contava e ensinava? Que as vitórias e a regularidade dele vinham de determinação e doutrina, basicamente obtidas através de árduo treino. Sua esposa passava horas com ele na quadra, repassando debaixo da cesta as bolas que ele arremessava milhares de vezes para praticar. Quando vinha o jogo, repetia aquilo que estava PREPARADO para fazer.

É isso que vemos com todos, especialmente os esportistas de alto rendimento, muito em voga nestes tempos de olimpíadas. Eles praticam tudo aquilo que irão fazer no momento da competição, ou seja, PREVEEM as possibilidades e treinam que decisão e ação deverão tomar para atingir seu objetivo, vencer.

Um piloto privado de avião praticará seguramente cerca de 300 pousos em sua preparação até obter sua certificação. Um após o outro, sob condições adversas de vento, temperatura, pressão atmosférica, visibilidade e outros fatores que não se consegue prever. Ainda assim, ele deverá acertar seu pouso e, acima de tudo, deverá fazê-lo com segurança. Igualmente, um jogador de futebol o faz quando treina jogadas ensaiadas, de diferentes formas. Um condutor de veículos também pratica estacionamento em baliza, arrancada em aclive, pois deverá exercer essa habilidade na rotina de condução.

Ora, é isso que se esperaria de um governo que é responsável por conduzir nossas rotinas. Se deseja e exige que esteja PREPARADO para atuar nas adversidades, PREVÊ-LAS por meio de cenários e anteceder para que o pouso, se necessário, seja seguro e possibilite uma nova decolagem. Isso não combina em nada com o que presenciamos a nível Federal, encaminhando para aprovação um orçamento deficitário e sem dizer o que irá fazer para melhorar. Diz que está com problemas e não assume a responsabilidade de agir efetivamente, mostrar que está capacitado e preparado para dar ao mercado sinais que não sejam de inércia.

Não poderia ser diferente que a percepção das agências internacionais rebaixassem a nota de risco do Brasil, tornando o acesso ao crédito mais caro (de forma indireta a todo e qualquer cidadão brasileiro), repelindo investimentos internacionais (o que reduz ainda mais a atividade econômica), o que causa uma desvalorização cambial ainda mais drástica (o que ‘piora’ ainda mais as importações e não contribui para uma redução da inflação e, por consequência, igualmente enfraquece a atividade econômica). Enfim, tudo de pior que poderíamos imaginar, em um momento que parecia não poder ficar pior.

Para amenizar, o governo tentou dar sinais ao mercado. Novamente não ‘cortou na carne’ e repassou o preço de sua inabilidade de gestão à população (em partes, ainda dependente de aprovação no Congresso – outro embate na esfera de debilidade de articulação e aprovação política da atual presidência). Não demonstrou com habilidade que está disposto de fato a melhorar a situação de rombo das contas públicas – novamente o mercado respondeu com fuga de capitais, dando mais um auxílio negativo à subida do câmbio.

Vamos lá pessoal, se o treino estava difícil, não basta desistir, teremos que fortalecer ainda mais a musculatura para suportar a carga que não para de aumentar.

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