Quando somos impelidos a consumir menos
Sexta, 02 de Outubro de 2015

Estava no intervalo da disciplina de Economia que leciono e delineando o tema para esta coluna, coisa relevante, dada a importância que considero apresentar aos leitores algo que realmente lhes faça sentido e torne a leitura agradável (ainda que o assunto não seja palatável).

Eis que um tema se apresenta, mais claro impossível, mais simples impossível, nítido para demonstrar o que permeia o cenário econômico. É isso, vai ser tão simples que todos irão gostar. Ao mesmo tempo, pode se apresentar tão complexo que assustará pela sutileza.

Existe um gráfico básico e importante que demonstra a conhecida relação entre Oferta e Consumo, levando-se em consideração as quantidades (ofertadas e consumidas) para determinados níveis de preço. No ponto de equilíbrio temos o “aperto de mãos”, ou seja, naquele preço, aquela quantidade é aceita por ambos os vendedores e compradores. Compradores maximizam a utilidade de sua renda com aquele produto ou serviço e Ofertantes maximizam seu lucro.

A racionalidade dos consumidores sugere que, regra geral, quanto menores os preços, maiores serão as quantidades consumidas. Do mesmo modo (abstraindo-se o peso deles no orçamento ou sua relevância), quanto maiores os preços, menores serão as quantidades consumidas.

Temos atravessado momentos turbulentos, mas acima de tudo de elevação de custos e preços provocados tanto pelos custos, quanto pelos custos elevados devido a aumentos de preço. A “minhoca” é essa mesma; estamos falando de um fluxo circular em que os preços recebidos a maior são repassados por iguais ou, ainda, em mais elevadas majorações de preços.

Em um daqueles casos que citei na Economia temos a variação da curva de Oferta devido à criação de um tributo (ou no nosso caso, além disso, sua elevação – tanto estaduais, quanto federais). Qual o resultado? Os preços elevam-se (não os lucros, pois o aumento deveu-se por aumento de custo e “tentativa” de manutenção das demais variáveis – inclusive lucro). Preços mais altos ensejam redução de consumo, pois como a renda não teve alteração, a disponibilidade de recursos das famílias se reduzirá.

Em maior ou menor escala é isso que ocorre e por final todos, repito, todos serão afetados. Ainda que consideremos bens mais essenciais, cuja redução de consumo é quase imperceptível (como alimentos), ainda assim os impactos de aumentos de preços serão sentidos, pois direta ou indiretamente dependemos de todos os agentes envolvidos. Mesmo os que dependem de venda dos mais supérfluos, pois a renda, em última instância, circulará no mercado e chegará (ou não, nesses casos de aumentos de tributação) aos fornecedores e trabalhadores de todos os bens.

Vamos consumir menos, mas não por nosso desejo.

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