Quando não temos verdadeiramente a liberdade de agir
Sexta, 16 de Outubro de 2015

Dias atrás reencontrei um profissional de sucesso. Fiquei muito feliz por ele. Por ele, pois sei que o nível de avanço financeiro e social que alcançou foi mérito seu, trabalhado, suado, penoso e honesto.

Refiro-me a um profissional da área de jardinagem que há muitos anos tinha essa atividade como “bico” copara complemento da renda, enquanto trabalhava como celetista no comércio havia muitos anos. Na época, era comum vê-lo transitando pela cidade com suas ferramentas em um carrinho de mão já gasto pelo uso constante e severo. Basicamente, havia uma tesoura de cortar grama, um rastel, uma máquina de cortar grama elétrica e, bem, acredito que depois disso é um ponto final.

Ah, importante ressaltar. Além das ferramentas acima, levava consigo muitas horas de sobrejornada, finais de semana constritos para trabalhar, lançando mão de sua família ou lazer, focadas no resultado e vontade de crescer. Adicionado a isso, havia poderes sobrenaturais, geralmente entregues àqueles que precisam superar os costumeiros problemas e entraves que todo indivíduo enfrenta, especialmente dos países em desenvolvimento e nos quais a sede do governo é maior que sua vontade expressa de contribuir adequadamente.

Na penúltima vez que vi esse profissional, estava com uma camionete retirada zero quilômetro na concessionária, especialmente destinada a transportar suas ferramentas em uma caçamba fechada. Igualmente estavam lá a vontade de, por si próprio, “fazer as coisas acontecerem”.

Na última vez que conversei com ele, recebi a feliz notícia de que agora estava 100% dedicado à sua atividade de jardinagem e, “graças a Deus”, cheio de serviço a cumprir.

O que gostaria de chamar a atenção nesse caso é que os méritos foram dele. Não precisou ajuda do governo para sobreviver, mas certamente deve ter sofrido com ele. Se não muito, irá, ainda mais quando crescer e for gerar mais negócios, precisando aumentar sua estrutura e “enfrentar” as garras do Estado.

A diferença disso tudo com aquilo que acredito ser um desafio para nós é podermos ter com clareza nas pessoas que elas têm o DIREITO de poder fazer por si sós, de construírem suas histórias, obter sucesso, vencer na vida, aquilo que costumeiramente presenciamos no sonho americano, em todo e qualquer filme, mas que é a realidade de fato.

Ainda que não recebamos ajuda do governo, ou essencialmente que essa ajuda não seja contraprestada na mesma proporção de nossos sacrifícios coletivos e tributos pagos, o mínimo que esperamos é que ele não nos atrapalhe. Isso já é um grande passo. A exemplo do Ibama multar o Dnit, seu próprio par de governo, como noticiado recentemente atravancando este (via concessionários) de permitir as obras necessárias na Transamazônica em facilitar a integração da região Norte.

Se nem eles, entre eles, se permitem agir, o que esperar dos mortais?
 

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