Você conseguiria fazer um bom projeto social com R$ 2,4 milhões por ano?
Sexta, 27 de Dezembro de 2013

Quando preparava esta coluna, refleti um pouco sobre que temas na área econômica poderiam despertar interesse ao leitor, especialmente nessas épocas de Festas. Mas algo diferente dos comentários usuais sobre se o mercado está aquecido, ou se as vendas diminuíram em determinado item de consumo. Nada mais adequado que falar sobre o social.

Como deve ser de conhecimento de todos, a cada folha de pagamento despendida as empresas contribuem para o chamado Sistema S (dentre as confederações e sistemas estão o Sesi, Senai, Sesc, Senac, Senar, Sebrae). Este valor, por sua vez, é administrado por essas instituições (vinculadas à categoria daqueles trabalhadores – se do comércio ou indústria, para exemplificar apenas), e deve visar ao aperfeiçoamento profissional e melhoria do bem-estar social dos trabalhadores.

Graças aos esforços comunitários, lobbies políticos e as muitas idas e vindas a Porto Alegre e Brasília, temos hoje em Frederico uma unidade que devolveu à comunidade uma parte dos valores pagos pelas empresas e empresários em suas atividades. Faço um aparte especial ao Jamél, que se dedica diretamente e há anos (desde que o conheço) a essa causa, e nele represento os demais da classe.

Fiquei inquieto e segui um pouco além nesse pensamento e fiz um outro cálculo, bem grosseiro, certamente incorreto, mas não muito longe da realidade. Elaborei uma estimativa de 10 empresas e instituições do município que tem massas salariais mais elevadas. Notem, apenas 10!!!

Adivinhem o valor do “orçamento anual” a que temos direito tendo em vista sua arrecadação ao Sistema S? Pouco mais de R$2.400.000,00. Isso mesmo, DOIS MILHÕES DE REAIS. 

Aí sim, comecei a fazer elucidações sobre como esse valor poderia ser utilizado. Pensem em um setor, carente de mão de obra, ou que precise melhorar a qualificação, capacitar verdadeiros profissionais que irão crescer exponencialmente em sua habilidade e sucesso profissional. Ou que para o qual nem tenhamos “vocação”, mas queremos desenvolver. Qualquer um!

Tomei como exemplo o setor metalmecânico, um ícone para o Senai e planilhei investimentos possíveis: 

- Prédio de 600m2, infraestrutura superestimada de instalações (ar, energia, bancadas...), um centro de usinagem CNC, 3 tornos, 3 soldas mig, ferramentas diversas, 3 instrutores pagos por 48 meses, material de consumo por 48 meses (arame da mig, fresas, EPIs...). 

Total: R$1.700.000,00. 

Esforcei-me, mas nem em um projeto de 4 anos consegui gastar 70% do que temos direito em 1. E lembrem, de uma fração apenas do total de empresas pagadoras.

Lembrei também daquelas teorias em economia e gestão pública de que quanto mais longe da utilização final está a geração da riqueza, mais mal empregada ela tende a ser.

Sei que essas informações podem tocar o sentimento daqueles que estão envolvidos no processo e sei que todos na sua medida têm o esforço para a criação de conhecimento e capacitação. Esta coluna é de longe uma crítica a eles, mas a explicitação da sensação daquele que sente pelo lado dos empresários e trabalhadores que aquilo que se dá, não é o que se poderia receber.

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