Medidas impopulares: questão de confiança
Sexta, 18 de Dezembro de 2015

Medida impopular na Argentina, aceitação.
Medida impopular no Brasil, rejeição.
Por que é diferente?

Tive a oportunidade de estar na Argentina neste dia 16, momento em que o ministro de Economia argentino anunciou medida impopular, especialmente para os consumidores e importadores, baseada em controle de câmbio para gerar divisas ao governo nacional e sanar suas dívidas. A população paga a conta.

Extremamente impopular, assim como as propostas pelo governo federal brasileiro nas suas últimas ações, igualmente impopulares. Mas qual a diferença? Ela reside no fato de os brasileiros não acreditarem que elas, apesar de ruins no curto prazo, seriam importantes no longo prazo. Todos pensam assim? Logicamente não, no entanto contem nos dedos com quem quiserem colher opiniões se acreditam em algum resultado positivo provocado por elas.

Na mesma ocasião, conversei com empresários argentinos, que expressaram sua opinião. Estavam sim apreensivos com as medidas econômicas propostas pelo novo governo argentino, recém-eleito. Sabem que enfrentarão problemas, restrições, terão de fazer ajustes internos, negociar com fornecedores e tentar de imediato não repassar preços a um consumidor já acoado em um ambiente econômico negativo.

Mas, apesar de tudo isso, confiam (e aqui o grande segredo) e têm esperança (pois já passaram por outros momentos de dificuldade similares a esses no passado) de que o que está sendo feito terá bons frutos. Acreditam, almejam sucesso ao governo e estão confiantes de que, apesar dos ajustes imediatos, o que está sendo feito é o remédio ideal para um médio-longo prazo mais ajustado e que proporcione estabilidade de preços, mais proximidade ao pleno emprego e níveis de crescimento.

Podemos esperar isso do Brasil? Devemos. No entanto, todos sabemos que o grande problema nacional é convivermos com uma crise de confiança (no contexto da política, logicamente). Ninguém está propenso a gastar, investidores não estão dispostos a gerar novos empregos, comprar equipamentos, construir edificações, as famílias estão repensando comprar um novo automóvel, construir ou reformar a casa, viajar. Paguemos para ver.

Buenas, em resumo, sorte aos argentinos (não compartilho do mau humor e má sorte desejada pelo Maduro ao Macri). Sorte a nós. Sorte aos condutores das políticas públicas. Energia aos empresários, para suportar mais um pouco a carga, fé aos trabalhadores, servidores e população de que as coisas poderão melhorar antes do que se apregoa.

Comentários