Quando um passarinho voando vale mais
Sexta, 15 de Janeiro de 2016

Peço licença a vocês para hoje tangenciar um pouco o tema Economia e desenvolver um pensamento a respeito de um acontecimento desta semana, o qual certamente a muitos passou despercebido, mas, como tudo na vida, toca o percurso daqueles que de algum modo voam, ao menos parte da mesma rota.

Sabem aqueles momentos em que as coisas são relativizadas, em que trocamos por momentos de reflexão a correria do dia a dia (cada um na sua velocidade relativa, pois o que é velocidade a não exceder para alguns pode ser um regime de cruzeiro para outros)? Conhecem aquelas situações em que a Terra parece dar uma paradinha no giro, o horário do pôr do sol demora mais a chegar, nos damos conta que respiramos, queremos sentir de onde o vento sopra, enxergamos a pessoa que nos cerca com mais sobriedade? É claro que todos devemos nos importar com quem está ao nosso redor, mas há momentos em que as sensações se revelam mais intensas, queremos e precisamos reconhecer no outro ainda mais a verdadeiro relacionamento que sempre deveria estar à flor da pele.

O Paulinho era assim. Não fazia de conta que não lhe enxergava. Pelo contrário, do primeiro segundo que lhe via fazia notar que o tinha e que sua presença lhe fez bem. Mirava o olhar e de imediato, com uma memória como poucos, lhe chamava pelo nome (a todos era assim, sempre) e prontamente lhe concedia o presente do dia: um abraço forte, verdadeiro, com sentido de humanidade e plenitude. Te desmontava! Como fazia bem. Quero ser mais como ele!

Pergunte a qualquer um se tem alguma mágoa dele? Certamente não, pelo contrário, o Paulinho deve ter feito muita gente repensar e perceber que seus problemas na verdade não eram problemas, deve ter transformado seus dias para uma experiência de vida melhor, mais sublime, mais correta.

Qual era sua paixão, no que era bom, o que amava? Certamente uma porção de coisas, no entanto uma delas, atestada pela sua família, a liberdade dos pássaros, o sonho que sempre esteve a desafiar o homem e a técnica, deixando-lhe em comunhão com a Física. Uma coisa que fascina a muitos, que a tantos é profissão, que a outros é lazer, que a milhares é condição para poder encontrar um familiar, a outros tantos ferramenta para fazer negócios ou estudar: a AVIAÇÃO.

Sim, o Paulinho tinha audição como poucos, a reconhecer pelo ronco o modelo do avião que passava. A escutar primeiro que todos em uma roda de conversa e em seguida ver, apontando com precisão de onde se aproximava uma aeronave. Ele nos lembrou que devemos estar sempre em paz de espírito e que os que estão no meio da aviação nunca estão prontos, sempre tem algo a aprender com o outro, mas também ensinará, que quem está nesse meio vai desejar o bem o próximo, vai ser amigo, vai ajudar.

Desejamos que o pai eterno seja seu permanente instrutor, que os anjos sejam seu apoio em solo onde estiver e os santos seus copilotos.

Ótimos voos Paulinho!

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