O cartel bom (para eles) e autorizado (por eles)
Sexta, 26 de Fevereiro de 2016

As práticas abusivas contra o consumidor são punidas pela legislação e moralmente por todos nós. Conluio de preços, prejudicando a parte mais fraca (sempre considerada o consumidor) prejudica a concorrência perfeita, que ao fim e ao cabo maximizam a eficiência dos negócios e dão melhores condições aos clientes.

O impacto da concorrência perfeita (o mais próximo possível dela) leva a uma melhora nos produtos, evolução tecnológica e redução de preços, sempre acima do custo, mas sem serem abusivos e em condições concorrenciais que façam com que as empresas e fornecedores dos fatores de produção (indivíduos com mão de obra, além de insumos, bens e equipamentos) se mantenham no mercado.

Nesta semana, no entanto, temos tido notícias de reuniões entre o governo da Venezuela e os diretores das maiores fatias de produção da empresa chamada produção mundial de petróleo, que incluem Arábia Saudita, Rússia e Qatar. Esses contatos preveem apoio de outros países produtores de petróleo. Qual a alegria deles? Que poderão promover a “estabilidade de mercado” e “recuperação de preços”. CARTEL BOM PARA ELES.

Em que consiste o combinado? Congelar os níveis de produção, fazendo com que a quantidade ofertada não suba e os preços sim, esses subam. Importante saber que muitos desses países “permitiram” a queda do preço do barril de petróleo tentando deixar de fora muitas das áreas de extração dos Estados Unidos, cujo óleo negro precioso é obtido a partir do xisto e com custo de extração mais elevado que os asiáticos e sauditas.

Mais uma vez, tanto o desejar que o preço caia, quando se eleve, consiste em uma manipulação artificial dos preços, de sorte que as forças “normais” de mercado não se apliquem. Em qualquer relação de fornecimento–consumo isso seria penalizado. Já a força da Opep não é questionada e parece algo bastante natural. Os governantes não questionam, e as manipulações de mercado, o CARTEL, é AUTORIZADO POR ELES. 

Enquanto isso, Maduro, na Venezuela, antecipou os resultados do que nem aconteceu ainda e aumentou os preços do combustível em seu país pela primeira vez em 20 anos, tentando dar um pouco mais de recursos à nação afundada em crise.

Mais uma vez, aos mortais resta surfar na onda das variações de preço (na maioria das vezes) contra nós.

Comentários