Food truck, o que um termo gera na percepção do consumidor!
Sexta, 06 de Maio de 2016

Não é mais carrocinha de cachorro-quente, não é mais trailer do espetinho, não é mais xis sobre rodas, agora é food truck, a expressão do momento para denominar restaurantes, lancherias e afins ambulantes.

Espetinho “de gato” tem um sabor diferente que o do food truck? A fumaça é mais cheirosa no food truck? A carne mais macia? E se este nada mais tem do que uma pintura refeita para assim denominá-lo? Bom, de qualquer sorte ele assim chamado estará na vibe do momento, estará surfando a onda da moda, a tendência mundial, poderá ser comparado aos programas que passam nos canais fechados que tratam do tema, o que não pode ser condenado, e sim respeitado.

É, claro, uma forma de dourar a pílula e (aparentemente) tudo que se vê na mídia é mais legal que na prática é, as cores mais bonitas, as pessoas mais felizes, a vida mais perfeita. Vejam as séries norte-americanas ou britânicas da moda. A febre do ouro, retratando a rotina e peripécias de empreendedores garimpando a fortuna nos Estados Unidos, demonstrando a vida das pessoas e a profissão daqueles homens que vivem desse ambiente.

Nada diferente seria fazer uma série aqui na extração da pedra ametista. Mas isso nós estamos acostumados, nem todos dão tanto valor, afinal de contas está aqui pertinho, não é tão interessante quanto aquilo que passa lá na TV. Aposto também que para as séries de carros os nossos mecânicos tem muitas histórias tão ou mais legais que as que vemos na telinha.

Se for um food truck em Nova Iorque, aliás, vários, um atrás do outro, com diferentes tipos de comida, ou se for um na feira em Bento Gonçalves, ou na rua de qualquer cidade, praticamente dá na mesma. Mas apenas trocar o nome não adianta, tem que efetivamente “entregar” ao cliente uma aparência, uma limpeza, uma organização, tragam ao sabor e à própria percepção de sabor o que realmente a “carrocinha gourmet” quer dizer.

Para ser um food truck tem que ser diferente e não porque é moda que tem que se tornar. Afinal de contas, alguém aí não gosta de um xis bem feito, com gosto de chapa? Ou cachorrão de rua, daqueles que tem que ficar de pé mesmo, se lambuzando (se de fato quiser sentir o verdadeiro sabor da comida de rua)? Para mim pode ser assim.

O sabor está na essência, no jeito autêntico de fazer as coisas, na imagem que o realismo me passa, no gosto que o ambiente transfere, no apetite gerado pelo que sabemos que iremos encontrar sempre. Gosto do molho que suja a roupa (mesmo que cuidemos para que não caia na roupa), da salsinha, do milho, do tomate e da maionese que transbordam do pão, da fumaça que ajuda a temperar o alimento de rua, da iluminação que ajuda na sensação de, vamos lá, rua mesmo.

E cá para nós, será que não é mais gostoso um caminhão de comida, do nosso jeitão, com personalidade, que um food truck genérico?

Comentários