Seria o pedágio público mais barato que o privado?
Sexta, 10 de Janeiro de 2014

Em 1997 não eram raras as manifestações populares e de classe com frases de ordem do tipo “Fora FHC, Fora FMI”. Essas inscrições eram facilmente vistas em muros e pontes pichadas, faixas expostas defronte a repartições públicas. Igualmente eram motivo de acirrados debates políticos na televisão e rádio, bem como discussões acaloradas nos corredores das universidades.

Naquela época eram questionados os caminhos dos serviços e empresas públicas, o nacionalismo utópico e a ineficiência geralmente presenciada na administração pública. Tivemos as privatizações, com ênfase nos casos emblemáticos da Vale do Rio Doce, as teles e bancos estaduais.

Estávamos em última instância tratando da (in)capacidade de financiamento e investimento do Estado, especialmente devido ao alto nível de endividamento público e inoperância na gestão (não geração!) dos recursos públicos ‘limitados’ (mas não inelásticos, pois sempre cabe um acrescimozinho na carga tributária).

Nos anos mais recentes também ouvimos e vimos palavras de ordem a la década de 1990, “Fora Lula”.  Parece, no entanto, que a história vai e volta. Aquelas questões aparentemente superadas e especialmente mostradas como decisões acertadas, passam a ser novamente questionadas e o filme é reprisado. 

Imagens do governador do RS se deslocando ao polo de pedágio de Carazinho (como igualmente ocorreu no de Farroupilha), sobre palanques improvisados (nem tanto assim) e dando ênfase às ações de não renovação das concessões de pedágio, denotam indícios das prioridades das políticas públicas, além do cumprimento de uma proposta de campanha. Parecem ainda retratar uma cena possível de se ver 15 anos atrás e aparentemente já não muito comum nos dias atuais.

As palavras de destaque nesse momento foram “pode passar que é de graça”.  Aí lembro novamente do que já tratamos aqui: não existe almoço grátis. Lembro ainda dos trajetos que todos fazíamos antes das concessões e da existência de pedágios e a necessidade real de a cada um deles ter de fazer balanceamento nas rodas e alinhamento. Isso quando não tínhamos que trocar um pivô ou buchas de suspensão. Sem contar com o fato de ficar na penumbra da estrada sem socorro em caso de pane, ou na dependência de resgates inexistentes que arriscam as chances de emergências e acidentados terem um final feliz.

Pensei ainda nas razões da instituição da EGR, a empresa pública que está estatizando a conservação das rodovias estaduais. E me perguntei: por que as rodovias federais foram ‘devolvidas’ à conservação do governo federal, teoricamente sem a necessidade de pedágios, enquanto que as estaduais foram retomadas, mas com a criação de pedágios, só que agora “públicos” (comunitários)? 

Pode ser que o preço aparentemente inexistente dessa refeição sejam vindas tolhidas pela má conservação e a falta de prestação de serviços essenciais. Pode-se até questionar o modelo de concessão, os investimentos em terceiras pistas não realizados ou coisas do gênero, mas não que esse acontecimento recente seja possivelmente uma Involução.

Comentários