Sim, é um questionamento com tom de desabafo!
Sexta, 27 de Maio de 2016

Quem é o Estado, como conceito maior de organização social? Somos nós. Ou seja, nós constituímos a figura de Estado para nos servir, para atender aos anseios sociais, de educação, segurança civil e jurídica. Ele só existe porque nós existimos e só tem razão de continuar existindo se ordem constituída tiver sentido para tal.

Se o Estado existe para nós, tudo aquilo que geramos para ele deve ser retornado a nós, por meio de serviços providos, estrutura de civilidade, infraestrutura básica e ordenamento constituídos para atenderem aos nossos anseios. No entanto, devemos ter clareza (e retomá-la) de que essa é a ordem dos fatores, e não o contrário.

Nestes dias estamos presenciando a Expofred, a maior feira da região, promovendo negócios e estado de ânimo positivo para um momento econômico e político tão degradado. É a força do povo para ajudar o Estado, promovendo negócios, empregos, renda e recolhimento de tributos para sustentar seu próprio ´Estado´. O que vimos? A estrutura policial efetuando o controle, direcionamento e coordenação do trânsito. O que mais foi visto? Com toda a sinceridade, a voracidade de abordagem, não poupando emissão de notificações, claro que contribuindo para o Estado que ´precisa´ de recursos. O que esperávamos, condução e conscientização aos motoristas e pedestres, multando sim, com bom senso e inclusive severidade quando cabido.

O fato é, que percepção vocês tem do tanto que ajudam o Estado e de quanto são ajudados por ele? Acha que mais é multado e penalizado que proporcionado a si uma sensação (pelo menos) de maior segurança, de tranquilidade para transitar e certeza de os maus elementos estão sendo ´enquadrados´? Não interessa muito a resposta, por mais provocativa que ela possa parecer e por mais que acreditemos que todos os agentes estejam fazendo seu melhor para a mais apropriada atuação, apesar da própria (falta de) estrutura que o mesmo Estado lhes concede.

A propósito, a própria sociedade constituída, que não necessitaria fazer isso diretamente, efetuou investimento próprio com recursos advindos da edição anterior da feira para contribuir com a segurança e conceder ao serviço de segurança pública recursos mais que adequados (e merecidos!) com o monitoramento do município. Parabéns!

O fato é, estamos vivendo uma mudança de paradigma, não apenas no Brasil, mas em toda a região, em toda a América Latina. Não que efetivamente seja necessária uma mudança, pois não saímos de uma situação de certo para errado, ou vice-versa. No entanto mudar significa muitas vezes retomar conceitos que outras épocas eram apropriados e efetivamente podem ser retomados nos dias de hoje. Alguns são perenes, como o de busca de eficiência e dar a nós mesmos aquilo que efetivamente temos condições de receber. Ou seja, não adianta criar benesses com exagero e superficialidade se nós mesmos teremos que pagar essa conta. A propósito, já estamos pagando, e cara! 

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