Estagflação: Coisa rara, mas até ela conseguimos causar
Sexta, 05 de Agosto de 2016

A inflação, por conceito simples, é o aumento generalizado dos preços, por diferentes causas. Existe, no entanto um tipo específico de inflação e raramente averiguado, denominado estagflação. Como a própria denominação indica, é uma inflação acompanhada de estagnação.

Se a inflação ocorre devido a um excesso de demanda, significa que os preços se elevam pois muitos indivíduos estão disputando pelos mesmos produtos, sendo o “fator de desempate” os preços. Ou seja, os preços se elevam para “selecionar” o vitorioso comprador.

O contrário deveria ser esperado também, ou seja, quando a economia está desaquecida, poucas pessoas desejando comprar, excesso de estoques e capacidade produtiva, os ofertantes tendem a reduzir seus preços para conseguir vender e se manter no mercado. E o que ocorre quando, por mais impossível que possa parecer, a economia está desaquecida e ainda assim os preços se elevam, ou seja, há inflação? Casos como esses determinam a estagflação, exatamente o que o Brasil vem vivendo nos meses recentes.

A percepção do que ocorreu no nosso país é assim: o resultado primário do país (receitas menos despesas para pagar a dívida pública) reduziu-se. Com isso, o risco país se elevou, o que provocou uma fuga de capitais e por consequência uma desvalorização no câmbio (demandam dólares para sair do país).

Pagar mais Reais por um Dólar, em última instância, fez com que importações ficassem mais caras (preços mais elevados para o que compramos do resto do mundo) e a oferta doméstica menor, pois é atrativo exportar (menos produtos para os mesmos consumidores competirem entre si para adquirir – conforme acima). Isso provocou um amento (ainda maior) de juros para conter a inflação, com o objetivo arrefecer a economia, que no nosso caso já estava em desaceleração.

Então entramos em um círculo vicioso, economia desaquecida, faz com que PIB caia. Se produção e renda nacional caem, os governos têm novas dificuldades de arrecadação para pagar aquela dívida lá do início e tendem a querer aumentar impostos para recuperar essa queda. Na verdade isso novamente irá frear a economia e reduzir ainda mais a capacidade das empresas e famílias de gastar e a partir daí, só problemas.

A teoria tradicional aponta isso. São necessários, no entanto, choques para mudar os rumos. Inclusive decisões não triviais, como reduzir impostos para aumentar arrecadação via fortalecimento real da economia, reforma fiscal e previdenciária, impopulares mas já além do prazo que deveriam ter sido efetuadas.

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