Também pensei em apagar a tocha! Você não?
Sexta, 02 de Setembro de 2016

Foi quase que um sonho de consumo, para muitos, apagar a tocha olímpica. Piadas, mensagens, sátiras circulando pelas mídias digitais provocando opiniões e encontrando adeptos. Não apenas apagar a tocha foi considerado desejo para muitos, como também compartilhar vídeos de corridas desastrosas dos que levavam a referida pira, acompanhadas por suas quedas “pastelão-cinematográficas”.

Apesar de o Brasil viver um momento único para quem sabe outros cem anos, muitos de nós (me incluo) não estavam percebendo em profundidade a relevância do que ocorreu no nosso país. Menina dos olhos do mundo nos últimos anos (exceto uns 5 recentes), especialmente após a abertura dos anos 1990 e estabilização selada pelo Plano Real, sediar uma Copa do Mundo e, em seguida, as Olimpíadas confirmou a posição de destaque consolidado do nosso país mundialmente.

Novamente, apesar dos pesares, isso é mais ou menos como uma criança teimosa. No fundo, no fundo, ela sabe que vai ceder, que o que fala é da boca para fora e, no final das contas, vai inevitavelmente fazer as pazes com os irmãos, pais, melhor amigo. Fomos birrentos, no entanto, no final das contas, o famoso espírito olímpico prevaleceu. Nos emocionamos, torcemos, vimos atletas fazendo bonito em esportes diferentes dos tradicionais e, ao mesmo tempo, adoramos sentir orgulho da cor brasileira no pódio. É verdade também para os esportes nos, por alguma razão, muitas vezes nem sendo pela popularidade do esporte, somos competitivos “por natureza”. Por natureza somos teimosos, cabeçudos em que querer que as coisas deem certo, por mais suja que estivesse a Baía de Guanabara e por mais presente que fosse o cheiro de esgoto no Complexo Olímpico.

Ficamos satisfeitos em ouvir da mídia internacional que a nação fez bonito, alcançando o objetivo e gastando menos do que outras edições demandaram. Nos encheu os brios mostrar ao mundo uma abertura, estrutura, coordenação, condução e encerramento de gente grande, aliás, de atleta profissional.

Mas quais foram os pesares? Os pesares foram o descrédito que, acredito, a população de forma geral possui no que o “público” representou nos anos recentes. A sensação de que tudo que utilizasse recursos da população ou pudesse ensejar desperdício ou corrupção ficasse chancelado com a grande repulsa de todos nós. O pesar de que o esforço para um momento “único” consumisse mais energia e recursos que estão sendo destinados à saúde ou educação, ainda que a economia tenha sido injetada por recursos e bons propagandistas que enviaram muitos dos seus para visitarem a terra tupiniquim, já que aqui foram bem recebidos e gostaram do que vivenciaram.

Tudo isso pode ser verdade. No entanto, entretanto, contudo e é bom poder contar com um novo momento, isso pode ajudar demais. Ter uma população um pouco mais satisfeita de si e confiante no que pode realizar representa outra década de esforços conjuntos para o comum, para as ações que interessam a todos. Acreditemos nisso e mantenhamos a tocha acesa.

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