Foi pelos ares*
Segunda, 24 de Outubro de 2016

Desde o lançamento do primeiro foguete, em 24 de julho de 1950, o Cabo Canaveral é cenário de muitas histórias. Localizado na Flórida, nos Estados Unidos, sua importância só cresceu à medida que os lançamentos se tornavam mais frequentes, desafiadores e bem-sucedidos. Destaques incluem o primeiro satélite artificial americano, em 1958, o primeiro voo espacial com um tripulante a bordo, em 1961, e o primeiro voo espacial levando astronautas à lua, na famosa missão Apollo 11, em 1969. É incrível pensar que, com uma tecnologia tão rudimentar comparada à de hoje, tenham sido alcançados tantos feitos.

No último dia 1º de setembro, o velho cabo foi cenário de mais um episódio na longa série da busca em explorar e ocupar o espaço. Um episódio infeliz. Durante os testes finais de lançamento, o foguete SpaceX Falcon 9 explodiu na plataforma. A bordo estava o Amos-6, primeiro satélite do Facebook. O objeto, que deveria entrar em órbita após dois dias, era o resultado de um investimento de 200 milhões de dólares.

O Amos-6 seria o ápice do projeto www.internet.org (vale acessar para conhecer), criado e mantido pelo Facebook, cuja missão é “levar o acesso à internet e os benefícios da conectividade aos 2/3 do mundo que ainda não os possuem”. Esse satélite proveria acesso a uma grande região do continente africano.

O dono, Mark Zuckerberg, estava lá e se manifestou lamentando a perda, porém afirmando que o projeto continuará avançando e que se mantém comprometido com a missão de conectar a todos. Para isso, a empresa utilizará outras tecnologias que já estão sendo desenvolvidas pelos laboratórios do Facebook.

Agora volte dois meses. O cenário é Yuma, no Estado do Arizona, no dia 28 de junho. Depois de dois anos de desenvolvimento, o Aquila decolou e voou pela primeira vez. Ao invés de 30 minutos, conforme planejado, a aeronave não tripulada e movida por painéis solares voou por 96 minutos – um sucesso total.

É com esse artefato que Mark sonha em prover acesso à internet nas partes mais remotas do planeta e, ainda, quebrar o recorde de duração de voo de aeronaves não tripuladas. Seu desejo é ter uma frota de Aquilas voando durante meses ininterruptos, comunicando-se entre si. Dá para sonhar literalmente alto e longe quando estamos diante de tantos recursos e de uma causa nobre. Imagine os benefícios de um mundo totalmente conectado. Utopia? Talvez não.

*Reprodução de texto de Sílvia Camargho.

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