Não quero ser obrigado a pagar mais pelo pacote de segurança nos automóveis!
Sexta, 17 de Janeiro de 2014

Vamos aos fatos:

A Kombi não será mais fabricada! E olha que o modelo especial ficou legal (apesar de ser estranho, pois geralmente os lançamentos não são para finalizar uma linha de produção).

O Uno Mille, símbolo da era dos carros modernos e populares pós Fusca-Itamar, também deixará de ser fabricado.

O consumidor não terá mais o direito de escolha, pois terá um pacote básico obrigatório a ser pago.

Esses fatos certamente chamaram a atenção de todos nós, consumidores, bem como alterou de forma profunda a estrutura produtiva e de mercado do setor automobilístico.

Vamos às ponderações:

Por um lado fomos tolhidos do direito individual de escolha, algo extremamente relevante, importante e necessário no Estado Democrático de Direito em que estamos inseridos, como fundamentalmente preceitua nossa Constituição Federal. Não mais podemos eleger em pagar R$ 1,5 mil a menos pelo pacote Airbag + ABS, doravante obrigatório por lei. Todos deveremos desembolsar mais, comprometer uma parcela maior da renda para arcar com um valor imposto aos veículos comercializados. O famoso carro popular já não é tão popular assim.

De outra parte, estamos tratando de diretos e benefícios coletivos, senão sociais. Há momentos em que o estado deve se manifestar e efetivamente intervir ou regular o mercado, de sorte que a população ou o indivíduo (em tese sempre a parte mais frágil da relação) tenha protegidos os direitos difusos e coletivos. Se não tomar decisões com essa, não estará contribuindo para a segurança da população, a preservação de vidas e o bem-estar coletivo.

Adicionalmente, o custo público de seguridade social despendido em casos de afastamentos e invalidez decorrentes de acidentes deverá ser reduzido, gerando uma economia ao governo, vez que os veículos se tornarão mais seguros. Em contrapartida, a conta desse custo social (que em última instância é pago por nós), mudou de bolso, sendo repassado de maneira direta aos consumidores, que estarão arcando com os preços mais elevados dos veículos por conta desses acessórios de segurança. 

Percebe-se que é uma questão complexa e pode muito bem ser defendida por qualquer uma das bandeiras. Se de início temos a opinião convicta de que devemos ter a opção de incluir ou não esses pacotes, quando escutamos alguém defendendo o oposto, certamente poderemos nos convencer de que isso é um custo mínimo se comparado aos benefícios que teremos coletivamente.

Conclusão:

Com ou sem Airbag? Não tem como, já é obrigatório.

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