Capital humano ou técnico: qual falta mais?
Sexta, 18 de Novembro de 2016

O que nos faz diferentes do mundo e vice-versa? O que nos torna únicos e melhores ou mais atrasados?

Gostaria de responder a essa pergunta abordando dois fatos. Tive a oportunidade recentemente de assistir a uma palestra de “Lições de Estratégia do MBA da Estrada” (tradução livre) durante a NACS em Atlanta/EUA, considerado um dos maiores eventos mundiais de conveniências e postos de combustíveis (www.nacsonline.com).

Proferida pelo Dr. Michael Mazzeo, da Northwestern University’s Kellogg School of Management, trazia o resumo de um trabalho de campo efetuado diretamente com empresas, buscando captar nelas o que em suas histórias as tornava diferentes e merecedoras de sucesso. Diferenciação em si, estratégia de embalagem e localização, especialidade e conhecimento do mercado foram alguns dos ingredientes detectados.

Ótimo momento, aprendizado, percepção, questionamento interno. Ao final dele, no entanto, resolvi falar com o palestrante com o intuito de entender “institucionalmente” como as coisas funcionavam para aquela pesquisa, naquela universidade e nos EUA. A pergunta resumida foi a seguinte: qual a fonte de financiamento para o estudo desenvolvido? Com uma certa “estranheza” (acho que mais para mim do que para ele), mas bastante respeitosamente, respondeu que o orçamento do projeto era quase inexistente, já que não passava de algumas passagens, locação de carro e hospedagens em hotel.

Pensei com meus botões: “orçamento reduzido para eles!”. Amigos, o pesquisador, mais alguns em sua equipe, rodaram os Estados Unidos de norte a sul, leste a oeste (que é uma dimensão gigante). Além disso, estiveram em outros países, a citar Chile e Nicarágua. Ou seja, foi sim bastante coisa e um trabalho complexo em termos logísticos e de custo. Resposta certa: eles têm dinheiro! Foi orçamento próprio, sem depender de nenhuma bolsa governamental ou contrapartida.

O outro exemplo que gostaria de trazer para “determinar” o futuro de um país e como ele será diferente do resto do mundo veio de um vídeo recebido do Ricardo Amorin, explicando que a diferença entre as gerações de Brasil e Coréia do Sul era a Educação. Traçando paralelos entre aquele minúsculo país e o nosso, foi mostrado na história que o salto dado por ele deveu-se a esse “único” fator.

Em economia, falamos de dois grandes ativos que um país pode ter: o capital técnico (que inclui máquinas, equipamentos, infraestrutura) e o capital humano (nós).

Para o capital técnico, temos uma longa caminhada. Não temos recursos, minguamos por eles e comemoramos (ainda bem) quando os obtemos (do governo), por menor que eles sejam. O exemplo do “orçamento” próprio do trabalho de estrada do professor acima mostra isso. Quanto ao capital humano, bom, esse temos. Basta que consigamos que ele seja em melhor qualidade e capacitação, dia após dia.

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