Grande demais para quebrar
Sexta, 02 de Dezembro de 2016

Provavelmente você já ouviu essa expressão em algum momento de sua vida, consciente ou inconscientemente. O maior exemplo mundial disso são os Estados Unidos, cujas dívidas (tanto públicas quanto dos cidadãos) são gigantes. Apenas para comparativo, a Dívida Pública em percentual do PIB*1 nos EUA é de 104% contra 66% no Brasil.

Ocorre que, mesmo com esse “indicador” ruim, ele não quebra, pois há tantos países e instituições que dependem dele, há uma importância tão grande para a economia mundial, que os credores não o deixarão quebrar. Imaginem a China ou o Brasil pararem de exportar para o grande consumidor, que é o país norte-americano? Difícil realizar isso e os impactos que isso pode gerar.

Resumo da ópera, se você tiver crédito, possivelmente poderá passar sem maiores sobressaltos por momentos cíclicos de crise, DESDE que os fundamentos (neste caso, de economia) sejam bons. Ou seja, para o caso de países, relação dívida/PIB em níveis aceitáveis (FMI*2 e instituições e análise de crédito internacional oferecem parâmetros para isso), foco na austeridade fiscal (gastar bem os tributos), ambiente competitivo saudável e elevado nível de governança corporativa.

Uma coisa me chamou atenção ontem: o ex-presidente Lula prestando depoimento em São Bernardo do Campo via teleconferência ao juiz Sérgio Moro, “acompanhado” de Bumlai, e o que despertou maior interesse ainda: tendo como testemunha o ex-deputado Eduardo Cunha.

Na concepção de muitos até meados do início deste ano (e, em especial, dos anos anteriores), o Cunha era o típico “grande demais para quebrar”. Fontes especulam que o político suportava financeiramente dezenas de outros deputados e, em razão disso, tinha (e teria ad eternum) proteção contra as crises e sobressaltos de poder. Mas, em algum momento, o grande demais quebrou. Está neste momento preso em Curitiba.

São bons sinais, mostrando que, às vezes, o grande demais não é bom o suficiente para não quebrar. Isso é relevante, pois não basta ser grande para não quebrar, mas tem que fazer sentido e tornar recíproco o relacionamento para quem concede “crédito” a esta parte.

*1 Total de riqueza gerado pelo país.
*2 Fundo Monetário Internacional

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