Um país em primeiro lugar. Isso significa meu umbigo?
Sexta, 27 de Janeiro de 2017

Donald Trump, presidente eleito dos EUA. Magnata empreendedor. Polêmico em sua campanha, discursos, ideias e primeiros atos de governo. Um novo baluarte do nacionalismo exacerbado, que apesar de não concordar, certamente enche plenamente os ouvidos de quem quer escutar isso, especialmente em um país que se sente orgulhoso de si mesmo, patriota!

Algumas frases que destaco do discurso de Trump, as quais logo adiante comentarei:

“ Um país existe para servir aos cidadãos”.

“O que importa não é o povo que governa, e sim se o povo controla o governo”.

“Nós brilharemos para que todos nos sigam”.

São todas frases de impacto, emblemáticas, que após pronunciadas eram seguidas por uma pausa de Trump, aguardando que o povo aplaudisse e aprovasse. Assim foi seu discurso, “America First”. Em tudo apertou o botão do sentimento da população ressaltando que ninguém seria esquecido e que todas as ações do governo pensariam primeiro nos americanos, para gerar empregos aos americanos.

Apesar de ´informar´ que os EUA manterão boas relações com o resto do mundo, esquece-se Trump que não há como internalizar tudo na economia de um país. Ou seja, não tem como produzir e fornecer tudo o que sua população necessita. Ao menos não conseguirá fazer isso com o menor custo e melhor eficiência. Aliás, isso nem é bom. Primeiro por que se estará ´gastando´ recursos produtivos em uma atividade que não proporcionalmente não gerará tantos frutos, pois se estivesse dedicado àquela que comparativamente faz melhor, ´renderia´ melhores resultados. Segundo por que os países vivem de relações bi e multilaterais, o que significa dizer que o comércio internacional não tem uma direção única.

Logicamente alguns países terão habilidades e competitividade em diversos segmentos. Mas alguma coisa importarão do resto do mundo. Olhar o sentido do comércio é bastante simples. É mais ou menos como avaliar quem vende para quem em uma região da cidade, em um estado, entre estados, entre países limítrofes, entre regiões do mundo ou países distantes uns dos outros. Retire as fronteiras legais, fora isso o mundo é uma coisa só!

Quem ganha com isso? A população. Se continuássemos com o Fusca do Itamar, fechados ao mundo, quem sabe não teríamos airbags e abs e em todos os automóveis, além de certamente serem mais caros que outros que não teríamos condições de acessar por barreiras artificiais (ainda bem que não foi assim). O passo seguinte, a propósito, foi (e é) tornar os mercados domésticos mais eficientes, o que, em última instância, reflete em produtos mais baratos e acesso à massa da população. Isso é assim e será assim. Muro com México? Absurdo. Regular imigração ilegal? Tudo bem, faz parte da autonomia nacional. Não contar com a mão de obra e inteligência de cidadãos de outras nacionalidades? Sem chance.

Trump, você não está só. O que é o contrário de dizer que estejamos 100% com você. Entendeu?

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