Quem vai nos pagar??
Sexta, 24 de Fevereiro de 2017

Uma conversa sem maiores pretensões, temas que estão na mídia, no entanto ela trouxe uma inspiração para ser abordada aqui. Dois deles foram: presos mortos nas rebeliões e falecidos no acidente da Lamia (Chapecoense).

Acredito que não é novidade nenhuma para ninguém e certamente gera ´revolta´ em muitos o velho ditado de que mal pagador não paga mesmo e que os honestos sempre assumem suas responsabilidades (pagam pois “precisam” pagar). Sobre o tema do avião que levava os jogadores do time catarinense, a conversa entre os amigos levantou a seguinte hipótese: bom, se o proprietário era o próprio piloto, se o principal ativo da empresa que poderia garantir responsabilidade civil dos resultados do acidente extinguiu-se com ele, se as seguradoras (não cabe aqui saber o montante/extensão da cobertura) provavelmente acabarão por negar em definitivo o ressarcimento à empresa, quem irá indenizar as vítimas e familiares/sucessores?

Não sei, não cabe a nós evidenciar as questões jurídicas do caso, no entanto em um ´tiro na lua´ foi largada a seguinte hipótese, propositadamente natimorta: “Será que o governo irá fazê-lo?”.

Ato contínuo o outro tema indicado acima veio à baila. O governo irá indenizar as famílias dos presos que morreram (provocaram suas próprias mortes, para ser mais preciso no termo) nas rebeliões recentes nos presídios. Qual a lógica disso? Bem, eles estavam lá sob a guarda do Estado, que deveria protegê-los e zelar pela sua integridade, portanto, se isso não foi conseguido, o Estado é responsável por reparar os danos. Revolta, não? Não, não a revolta no presídio em si, me refiro à “nossa revolta” pelo absurdo que isso representa em um Estado de inversão de valores.

Mudem os sujeitos, copiemos tudo igual. “Bem, (eles) os CIDADÃOS estavam (lá) sob a guarda do estado, que deveria protegê-los e zelar pela sua integridade, portanto, se isso não foi conseguido, o Estado é responsável por reparar os danos”. Aqui não os presos. Somos nós, os presos que estão fora dos presídios. Ora, e nós, QUEM IRÁ NOS PAGAR? Quem irá ressarcir os danos (muitas vezes irreparáveis) das agressões físicas, morais, financeiras, patrimoniais que sofremos pela insegurança comunitária? Neste caso somos os “honestos” e, pela razão exposta no início deste texto, pagaremos então nós por isso?

Não precisamos pagar, aliás, não precisaríamos e nem precisaríamos estar falando isso, se os valores de sociedade estivessem nos pilares corretos, pois neste caso não precisaríamos nos preocupar com a segurança patrimonial e pessoal, muito menos com aqueles que causam isso.

Lembrei de mais uma da semana. Juíza que liberou criminoso em audiência e, pasmem, ao sair do trabalho foi assaltada pelo próprio afeto em cuja sentença decidiu merecer a liberdade. Quem sabe se ela se rebelar terá indenização!

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