Dá para testar os filhos como se faz com as novas tecnologias?
Sexta, 10 de Março de 2017

Mãe e pai de primeira viagem, o que esperar? Vamos começar pelo final: ter a certeza de que eles estarão querendo fazer o melhor para seus filhos. E qual o resultado? Não interessa, eles sempre terão feito o mais adequado que poderiam fazer para aquele momento.

Lá vem a criança. Tá chorando por que motivo? Ah, siga os três “F” do Tio Jorge, Frio, Fralda, Fome. Mas e qual deles mesmo? Ah, faça como você já praticou lá no vestibular, tentativa e erro, e verá que, muito rapidamente, você será um expert em traduzir com precisão os sinais, sons e olhares do seu filho. Logicamente isso requer zelo, cabe dedicação e amor genuíno, mas isso está naquele hall de coisas para as quais não se precisa fazer nenhum esforço. De lambuja recebemos tanta coisa boa que minimiza a necessidade de terapias, exercícios físicos (sem eles), procurar programas adicionais (pois sempre terá algo novo para fazer).

Bom, mas se não dá para testar antes, como se faz? Qual o test drive possível de se fazer com um carro que ainda não é seu para ter certeza se quer comprar e estar seguro que irá dar certo? Sim, sabemos, as coisas não são tão lógicas assim e tem um instinto animal sobressalente para isso, o que nos leva a fazer uma linha de comparação.

Será que o inverso também não é verdadeiro, ou seja, estamos esquecendo de usar racionalidade, lógica e cérebro empregado naquilo que essencialmente deveria haver? Me refiro às novas tecnologias e em especial lançamento de produtos. A dinâmica de novos lançamentos, especialmente os itens que requerem novos lançamentos quase que sequencialmente imediatos, é usada para atrair nosso desejo de compra, e mesmo atender as necessidades de se enquadrar no que o mundo “moderno” requer. Será que, por esse motivo, faltam “racionalidade” e tempo necessários para testar os produtos e validar essas tecnologias? Pois, se demorar muito, a outra “onda” veio e o lançamento perde o sentido.

Então aprecem os Samsungs 7 com problemas mundiais e necessidade de descontinuar o produto, pois coube ao consumidor a tarefa de “testar” o produto para a empresa que é uma referência e tinha a crença, por parte dos consumidores, de que ela sabia o que estava fazendo, pois não era seu primeiro “filho” e precisamente reconhecia o que deveria fazer para atender os “F” para que sua prole se saísse bem.

É meio engraçado né, naquilo que é mais precioso está na nossa responsabilidade, na nossa mão, no nosso esforço e não tem “prova real” para checar de antemão os resultados. Em contrapartida, naquilo que deveria ser um procedimento padrão, sem falhas, seguro, definido, “escapa” da mão e do projeto do inventor, criador, acompanhador.

Definitivamente, ainda bem que não se compram os filhos na internet.

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