A bipolaridade da economia
Sexta, 24 de Março de 2017

Por conceito tem-se que “o transtorno bipolar do humor (TBH), distúrbio bipolar ou transtorno afetivo bipolar (TAB) é um distúrbio mental em que a pessoa alterna entre períodos de depressão e períodos de elevado ânimo. (...) Durante o período de mania, a pessoa comporta-se ou sente-se anormalmente energética, contente ou irritável. (...) geralmente realiza decisões irrefletidas ou sem noção das consequências. (...) Durante as fases depressivas, a pessoa pode chorar, encarar a vida de forma negativa e evitar o contacto ocular com outras pessoas...” (*1).

Não devem, no entanto, variações de humor, alegria, tristeza, vontade de fazer as coisas ou desânimo momentâneos necessariamente serem confundidas com bipolaridade.

A economia estudada e apregoada por alguns economistas da fisiocracia no século 18, comparava-a ao sistema circulatório do corpo humano, partindo daqui o conceito de Fluxo Circular da Renda, que demonstrava que o mesmo dinheiro dispendido no mercado flui nos diversos setores, servindo para pagar o próprio que o gastou. Assim sendo, muito já se fez em comparar o estudo econômico com atributos da natureza, incluindo a humana.

Não diferentemente disso, a economia é como um organismo vivo, feito de agentes econômicos liderados pelo social, portanto, uma ciência social. Ser vivo significa dinâmica, circulação e, por consequência, ciclos que incluem até mesmo momentos de “depressão”, quando extremos e duradouros. Se nem sempre um ser humano é bipolar, por apresentar ciclos, igualmente o que ocorre na economia e no mercado em um momento de crise não é algo proposital, provocado ou cuja causa seja um ato “inconsequente”. Mas também pode ser que seja (não se preocupem, nem se confundam).

Obviamente um somatório de fatores, com ocorrências em cadeia, podem provocar crises econômicas, o que afeta o rapidamente acima apresentando Fluxo Circular da Renda. Em resumo, um “espirro” em um setor, por menor impacto que tenha, sempre terá reflexos na sociedade como um todo.

Complementando, há os ciclos econômicos que, como o termo já diz, vem e vão, com ondas, algumas de menor prazo e outras bem mais longas, duradouras e intensas. Dentro de um ciclo maior, há outros ciclos menores de altas e baixas, mais ou menos como ondas comparadas ao movimento das marés. O fato é, ainda que não haja “bipolaridade” na Economia, horas o mercado estará bom (para alguns) e em outros momentos ruim (para outros).

*1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_bipolar

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