Até quando estamos com o dedo preso na tomada?
Sexta, 24 de Janeiro de 2014

Há alguns anos (nem tantos assim), uma porção de cidades brasileiras estava desprovida de telefonia. As centrais telefônicas proporcionavam que cidadãos fizessem chamadas a outras localidades, o que já era um avanço e comodidade bastante importante. Para os habitantes que não dispunham disso, o 'aguardar' por notícias eram uma realidade constante, bem como o deslocamento para cidades 'maiores' uma regra para quem necessitava de uma informações ou comunicação de pronto atendimento.

Isso já não é mais uma realidade, especialmente com a universalização da telefonia, diga-se de passagem advinda das regras criadas para os vencedores das concessões de telefonia fixa na era das privatizações (tema tangenciado em coluna anterior). Fator esse sobreposto pela larga utilização de telefonia móvel em altíssimo nível, em especial em um país que chega a ter mais de uma linha per capita.

Se naqueles idos em que a operadora (geralmente elas) da central telefônica do município ficava com as mãos presas ao fio, fazendo as 'pontes' entre os participantes, pode-se dizer que já estavam inauguradas as teleconferências, sobremaneira as conversas a três, fama quem sabe não devida às operadoras mais curiosas.

Comparativamente, podemos dizer que os cabos e finalidades mudaram, mas continuamos com os dedos nos fios, ou melhor nas tomadas. É latente nossa necessidade por energia, preponderantemente a elétrica, quando tratamos de telefonia móvel. Sabem aqueles enxames de abelhas na colmeia? Seria quem sabe a representação mais precisa das cenas vistas nos totens de tomadas em aeroportos, todos vorazes por dar mais uma carguinha no seu celular, tablets, note e netbooks. Buscam uma energia adicional para conseguir completar uma ligação importante do trabalho ou contato com a família. Desejam uma carga para se distrair ou entreter os filhos, ou mesmo garantir a sobrevivência no trajeto seguinte pois não sabem se terão fontes disponíveis de abastecimento, ou porque dependem de outras horas em deslocamento terrestre.

Quantos de nós já não pediu (repetidas vezes) emprestada uma tomada no restaurante, loja, comércio para conseguir 'sobreviver' durante o dia? Recordo de um empresário da alimentação que, conhecendo seu público viajante, disponibilizou há uns 10 anos tomadas espalhadas no restaurante para todos pudessem se socorrer, sendo esse um diferencial competitivo.

A busca por novas técnicas está lançada, permanentemente, podendo algumas ideias serem alcançadas, como o fornecimento de energia por outras fontes (além da elétrica), wireless ou pela rede móvel. A propósito, lembrei daquela piada que deve ter chegado a muitos, das escavações no Rio Grande, em que arqueólogos não acharam nada, ao contrário de cabos no subsolo de países desenvolvidos, concluindo que já há milhões de anos éramos servidos de rede Wifi.

Quem sabe algumas décadas ou séculos à frente não entenderão com conseguíamos viver dependendo dos fios. Assim como nós hoje também não entendemos como conseguíamos viver sem eles!

 

Alex Knapp Bakof

economiadoseujeito@hotmail.com

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