Falar em crise demanda conter gastos
Sexta, 30 de Junho de 2017

Lembrem que o laboratório das ciências sociais chama-se sociedade. Observá-la e analisar as interações sociais, portanto, são essenciais para que se possam fazer constatações e interpretar o que nela ocorre.

Recentemente foi noticiada “crise” em instituição pública federal com impacto na população, que não conseguia mais acessar os serviços prestados pela mesma, embora já paga. Estamos nos referindo à explicitação da crise de finanças públicas pela qual a nação atravessa e, para tanto, deve tomar atitudes.

O difícil, muitas vezes, é, apesar da aparente consciência da situação em que nos encontramos (e isso vale para a vida profissional e pessoal igualmente), determinar a real necessidade de mudança e o quanto conseguimos alcançar dela. Ou seja, falar em crise demanda conter gastos em todos os níveis e grandeza de valores, seja em investimentos vultuosos ou pequenos gastos de subsistência.

Se você está em contenção de gastos, deixará a TV e a luz da sala ligadas enquanto está na cozinha? Trocará de mobília no quarto e fará a viagem planejada? O racional coletivo dirá que não, mas ainda sim muitos deixarão a luz acesa. Mas será que você avaliou se a lâmpada utilizada (mesmo que fique desligada enquanto a sala vazia) é do tipo econômica? Haveria oportunidade de comprar um móvel seminovo que lhe atenderia? Quem sabe esperar ou efetivamente o móvel é uma questão de segurança (pois a criança pode se machucar) e não tenha escapatória? O fato é, sempre há espaço para melhorias e certas vezes elas são mais simples do que parece.

O governo federal paga a conta, nós pagamos a conta, mas quem economiza em uma repartição pública é a equipe, o gestor (que certas vezes é técnico, não foi moldado para gestão) e estando na rotina, pode encontrar oportunidades de melhoria que não serão “reconhecidas”, mas em sendo feitas, cumprirão o princípio da economicidade.

Lembram da crise na repartição pública federal? Em diversas delas encontramos luzes acesas 100% do tempo (que poderiam ter sensores de presença), lâmpadas não econômicas, acionamentos de água não eficientes, salas com luzes ligadas desnecessariamente, isso para apenas falar na subsistência. Por consequência, os “grandes” gastos e investimentos estarão, em última instância, preteridos em razão da falta de recursos e cujas ações mínimas poderiam contribuir para gerar capacidade de geração de caixa para eles.

Apaguem as luzes, não interessa onde (não) estejam.

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