O chefe mandou: apenas clique no Waze
Sexta, 25 de Agosto de 2017

Pule em um pé só. O chefe mandou, corra para a direita. Siga o fluxo, saia na saída, permaneça na via pelos próximos 10 quilômetros.

Todos vocês na verdade vão lembrar de filmes em que um hacker, sentado em uma sala escura e atrás de uma porção de telas, eventualmente um teclado acoplado a uma poltrona, que por um plano macabro, aciona os semáforos da cidade. Isso pode ser para cobrir uma rota de fuga de assalto a banco ou qualquer outra no nível cinematográfico, que nem sempre acaba bem, mas geralmente quer mostrar a “habilidade” desse expert em burlar sistemas (a programação de semáforos, por exemplo) e determinar seu resultado (que todos fechem, deixando apenas abertos os que ele quer que o vilão – geralmente – use como caminho livre para sua perseguição).

Dias atrás estava eu em uma grande cidade e, além de colocar o endereço de destino no GPS, utilizei também o famoso aplicativo Waze. Quais as principais diferenças deste? Basicamente ele faz alertas de “buraco reportado na pista”, “acidente reportado na via direta”, “carro parado na via adiante”, “radar à frente”, além de, o que seria o mais interessante, identificar os pontos de congestionamento e “sugerir” rotas alternativas. Como isso funciona? Os usuários passam a reportar pontos de congestionamento e o aplicativo, através de lógicas, entende que após determinada quantidade de usuários reportando a mesma coisa isso é verídico, e passa a indicar rotas alternativas.

Sim, repentinamente, indicados pelos algoritmos do programa, vários carros começam a fazer esquinas e transitar em ruas menos conhecidas, mais ermas e, naquele momento, alternativas de menor fluxo para congestionamentos em horários de pique.

O que me ocorreu foi o seguinte: assim como os hackers nos filmes provocam o trânsito a seguir por determinado caminho, nada impediria que motoristas (alienados), confiantes na indicação do aplicativo, seguissem todos para um mesmo ponto. No extremo da teoria da conspiração, as empresas poderiam pagar para o aplicativo fazer com que passem carros em frente a seu outdoor, ou a prefeitura provocar que fossem por locais de seu interesse turístico ou para mostrar obras executadas. São daquelas ideias esdrúxulas, mas que não custam ser compartilhadas.

Portanto, da próxima vez que seguir um aplicativo, cuidado para ver se o trajeto faz sentido e ele lhe leva para onde de fato é seu desejo. Ou não, estamos todos na boa fé.

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