A técnica da guerra, a arte da vida: 100 anos pós Primeira Guerra Mundial
Sexta, 07 de Fevereiro de 2014

Conhecem aquela velha expressão, "há males que vem para o bem"? Quantas e quantas vezes ouvimos isso durante nossas vidas e histórias profissionais, ou mesmo a utilizamos?

Quando não utilizada como uma bengala de escusas para o sucesso não desejado, de fato essa expressão pode ter um significado muito grande e complexo. A História é pródiga nesse sentido, apesar de em alguns casos a repulsa, a decepção, a tristeza e mágoa serem imensuravelmente superiores ao 'bem' causado. A Primeira Guerra Mundial é um desses casos.

Esse ano completam-se cem anos da Grande Guerra, que ocorreu entre 1914 e 1918 entre os Impérios Centrais (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália - esta na verdade não entrou em guerra e uniu-se à outra parte) e os Aliados (baseados na Tríplice Entente entre Reino Unido, França e Império Russo). Muitas vezes nem conseguimos entender bem ao certo os motivos de uma discussão em casa (e isso que o degladeio familiar geralmente é em busca de um bem comum), quem dirá os reais motivos de um conflito bélico. Apesar disso, atribui-se o desejo imperialista (a exemplo da Alemanha), ainda que motivo algum deva ser nobre ou suficiente para que isso seja necessário.

Nela, que foi uma das maiores guerras da história (70 milhões de combatentes), um dos lados da equação apresentou a grande quantidade de mortos (9 milhões), sendo que o outro demonstrou o motivo desse número: o avanço tecnológico alcançado, com armas mais potentes. Ou seja, apesar das barbaridades (bem por aí mesmo, na origem medieval do termo ´barbáries´), a humanidade ganhou em termos de ciência aplicada à vida cotidiana.

São três os pontos que gostaria de destacar relativamente aos efeitos da guerra, muito embora inter-relacionados entre si: o técnico, o econômico e o social. Sobre o primeiro, muitas foram as inovações desenvolvidas para a guerra, como armamentos, veículos e materiais, predecessores do que atualmente utilizamos e responsáveis por muitas das facilidades presentes na vida contemporânea.

Economicamente falando, a devastação foi profunda. Impérios foram extintos e muitos estados por décadas depois ainda sofriam os atrasos gerados pela falta de produtos, alimentos e mercado consumidor.

A terceira e quem sabem mais impactante foi a social. Se por um lado fatias da população jovem e masculina foram dizimadas (estima-se 15% da alemã, 17% da austro-húngara e 10% da francesa), de outra parte alguém tinha que assumir a atividade nas indústrias, inclusive de fabricação bélica para alimentar o gênero masculino no front. Esse alguém foram as mulheres. 

Elas assumiram grande parte do motor econômico, além das atividades tidas então como tradicionalmente femininas, fazendo do aspecto social uma revolução ainda maior. Obviamente após o fim da guerra suas posições foram, modo geral, mantidas e a mulher passa a assumir seu papel devido na sociedade.

O texto é direto, sem muita poesia ou crônica. Não aborda o absurdo do sangue derramado, que não volta mais e só deixa dor, nem que a maioria de nós jamais teria a real noção do que de fato possa significar um confronto armado. Mostra no entanto que um pedaço daqueles que se sacrificaram ficou entre nós, perenemente, senão pelos avanços técnicos obtidos, mas especialmente pela arte de ensinar por exemplos que não devem ser seguidos.

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