China: o comunismo é compatível com o capitalismo?
Sexta, 21 de Fevereiro de 2014

Parte 2: o Setor Público x Práticas Privadas de Gestão

Na coluna anterior, abordamos sobre a evolução econômica recente da China e sua perspectiva internacional, demonstrando como ela tem tomado atitudes capitalistas e direcionando o país para uma economia de mercado, reduzindo cada vez mais a intervenção estatal.

Recentemente ocorreu a Terceira Plenária do 18o Congresso do Partido, fato um pouco estranho para nós brasileiros, pois é difícil compreender um Estado 'sócio' de todos ps negócios privados. Se bem que indiretamente é o que ocorre no Brasil.

Nesta ocasião foram traçadas as diretrizes econômicas do gigante chinês para os próximos 10 anos, sendo os principais aspectos abordados a seguir:

Novo sistema de avaliação política

Atualmente, a grande pontuação de avaliação das províncias é dada pelo crescimento econômico em si. Deverão ser criados novos parâmetros, como controle de poluição ambiental, níveis de saúde e educação. Exatamente sobre isso abordamos na coluna prévia, alertando de que o país já está mais comprometido com essas questões.

Liberalização da taxa de juros

Atualmente os juros chineses são mantidos de forma artificialmente baixa. Os bancos, por sua vez, são forçados pelo Banco Central a restringirem o crédito, como forma de 'segurar' a inflação. Com essa liberalização proposta, o crescimento será mais balanceado, com consumo interno valorizado e os depósitos das famílias rendendo mais

Liberalização dos fluxos de capital

Nos dias de hoje, nem um estrangeiro pode livremente investir na China, ou um chinês aplicar recursos em um ativo não chinês. Isso dá ao governo formas de manter o câmbio controlado artificialmente. Deverão ser criadas zonas de livre comércio, as empresas tendo contas em dólares e estrangeiros podendo comprar ações das referidas empresas.

Liberdade de migração

Na atualidade, um chinês residente no campo não pode simplesmente migrar para a cidade, pois se o fizer perderá benefícios sociais como acesso à educação e seguridade social. A flexibilização proposta permitirá maiores salários e consequentemente maiores níveis de consumo.

Esvaziamento das Estatais

Os lucros das empresas estatais não podem ser livremente distribuídos, fazendo com que sejam mal empregados, em regiões desabitadas, por exemplo. Com a nova política, eles poderão ser repassados ao governo central que poderá alocá-los de forma mais eficiente.

Manutenção do sistema estatal como principal pilar econômico

O governo segue controlando atividades estratégicas, fornecendo bens e serviços através das empresa estatais.

Qualquer dessas políticas poderia ser entendida como uma estratégia capitalista e demonstra o quanto estão pensando com essa ótica.

Lembram muito a busca pela aproximação da administração pública aos formatos privados de gestão. Igualmente resgatam os programas em busca das melhores práticas de gestão aplicadas ao Estado, a exemplo do que já foi feito em governos brasileiros, em especial os estaduais. Neles se buscou aplicar programas de qualidade e produtividade, abordagem na meritocracia, gestão por indicadores e metas, sempre em busca de eficiência operacional. É o que se viu em administrações como a do Britto no RS, trazendo inclusive o empresariado para a gestão ou o aconselhamento, bem como de Aécio em MG.

Mais uma vez vemos que o que é bom, deve ser bom em todo o lugar. O administrar com eficiência é uma delas. Mais uma vez vemos que a China está mais próxima de uma economia de mercado do que em alguns casos os sistemas capitalistas puros.

 

Alex Knapp Bakof

economiadoseujeito@hotmail.com

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