O aumento da Selic, a redução dos investimentos e o dinheiro que fica guardado no bolso
Sexta, 28 de Fevereiro de 2014

Nos últimos dias, o Banco Central elevou a taxa básica de juros, Selic, para 10,75%. Ela é a referência básica para todas as taxas de juros de operações de crédito e empréstimo, bem como das remunerações de aplicações financeiras. Isso significa que a política de juros é uma das ferramentas que o Governo Federal lança mão para a condução da economia, quer seja, incentivar investimentos e consumo, ou arrefecer o nível da atividade econômica.

É exatamente isso que está fazendo, puxando o freio de mão, ou melhor, dando ré no grande petroleiro que é a economia nacional, visto que alguns resultados tardam a aparecer, assim como um petroleiro quilômetros antes do porto já tem que fazer a manobra para que efetivamente alcance o objetivo de atracar no ponto exato. A expectativa é de que os reflexos de controle macroeconômico representem um arrefecimento em 2014, sem extrapolar a inflação projetada, para buscar a retomada de crescimento em 2015.

A grande razão para isso, sem entrar no mérito sobre se é a melhor ferramenta, centra-se na busca pelo controle da inflação. O próprio Governo Federal tem tentado mostrar transparência em declarações, a exemplo do Mântega na Fazenda, que o está atento às oscilações, seguirá conseguindo manter as metas (inclusive de inflação) dentro das bandas propostas e que trabalhará para preservar isso. 

Ou seja, uma vez que a taxa básica de juros se eleve, o custo das operações de crédito no mercado igualmente sobem, fazendo com que fique mais caro tomar recursos emprestados, seja para construir uma fábrica, ampliar o comércio, renovar a frota de veículos, o plantel de máquinas e equipamentos, ou mesmo fazer um empréstimo pessoal para reformar a casa, comprar um veículo, financiar uma viagem. Resumindo, no limite, as pessoas que determinam que seu custo de oportunidade coincida com os parâmetros das novas taxas de juros deixarão de investir e gastar e pagarão para ver, ou melhor, receberão (juros de aplicações e poupança) aguardando os desdobramentos das cenas do próximo capítulo. Certamente isso comprometerá a performance de crescimento do PIB, salvo pelos gastos governamentais que estão sendo injetados e continuarão despejando verbas para os programas sociais  (especialmente em período de campanha), bem como obras para a Copa.

Não há dúvidas de que o controle inflacionário é uma das primordiais heranças do Plano Real e deve ser preservado. Quem tem mais de 30 anos sabe como é importante contar com a estabilidade econômica, ter a segurança do valor da moeda e do poder de compra garantido sem a corrosão gerada pela hiperinflação.

Ótimo feriado!

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