Tem inflação? A função da Moeda está corroída!
Sexta, 14 de Março de 2014

Em Economia diz-se que a Moeda tem três finalidades:

- meio de troca

- unidade de conta

- reserva de valor

A primeira é bastante autoexplicativa e cuja lógica remonta aos períodos imediatamente pós-escambo. Ora, naquelas épocas basicamente o que se fazia era um indivíduo trocar produtos produzidos ou cultivados por si, por outros que tivesse interesse e com outra pessoa que os possuísse. Não é difícil imaginar que cada qual deveria levar seu produto para o outro, de forma a receber/dar um em troca do outro. A propósito disso, nesta semana estava conversando com o historiador Wilson Ferigollo (e outro amigos) e entre tantas informações (como não poderia ser diferente), cruzamos por aquela que diz Frederico Westphalen já ter o maior produtor de feijão do Brasil e que em virtude disso muitos distribuidores no interior da nossa região se instalaram. Lembram os antigos entrepostos justamente oriundos da necessidade de coleta e troca de mercadorias, como para o período do escambo.

A unidade de conta, por seu turno, é o atributo que a moeda tem de deter um valor em si, de sorte que cada um que ouvir a respeito de um montante monetário saberá imediatamente o quanto ele representa, quanto de um determinado item poderá lhe render ao disponibilizar daquela quantidade de moeda e assim por diante. Da mesma forma, não é muito complicado entender que nas épocas em que ela ainda não era presente, seria muito difícil determinar o valor de um produto e quanto de um seria equivalente para comprar outro. Imagine a negociação “meus 15Kg de carne de suíno valem mais, quero 23kg de sua de gado; minhas 10 sacas de milho têm que comprar 2 carroças de algodão dos seus”.

Em tendo a moeda, isso tudo é facilitado e torna-se muito mais transparente, prático, fácil. O quilograma de suíno terá um preço, que será pago em moeda, permitindo ao seu recebedor dar continuidade ao Fluxo Circular da Renda (assunto para adiante) e disponibilizar aquele mesmo valor que recebeu para então comprar a carne de gado (também a um preço definido) do que lhe demandou a de suíno.

A última função da moeda é a reserva de valor. Essa importante finalidade preceitua que a moeda deva guardar valor em si mesma. Ou seja, se temos R$50,00 na presente data, devermos ter condições de encontrar em termos reais o mesmo valor de face no futuro. Essa é exatamente a função da moeda que perdemos quando enfrentamos inflação (mais especialmente hiperinflação).

O poder da moeda de reservar valor é literalmente corroído. Os R$1.000,00 de salário percebidos no início do mês compram uma determinada quantidade de mercadorias. Ao final do mês, os produtos já estão mais caros e devemos gastar mais para a mesma quantidade de produtos, ou seja, os R$1.000,00 já não compram mais os mesmos R$1.000,00 correspondentes em produtos. A moeda recebida como pagamento de salários, juros, aluguéis, lucros não consegue reservar valor.

O estado caótico inflacionário já foi o grande ´calo´ de todos, especialmente na década de 1980 e início da de 90. Para os mais novos isso não é muito presente. A propósito, melhor que não conheçam, não faz falta...

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