Pelo jeito, em outros 10 anos os homens farão chapinha!
Sexta, 08 de Novembro de 2013

Em uma matéria recente na Exame foi tratado relativamente ao mercado de tratamento de cabelos femininos no Brasil, especialmente a famosa chapinha. No último domingo, sobre o mesmo assunto, a Globo veiculou reportagem sobre a forma com que indústrias cosméticas estavam burlando a proibição de utilização de formol nas químicas para alisamento de cabelo.

Não sou o mais indicado para falar sobre o assunto, pois quem investe mesmo na imagem pessoal é o gênero feminino. Mas vamos lá: pesquisas mostram que mulheres podem preferir a lacuna de um bom jantar a um belo momento de estética em um salão no final de semana. Se há dez anos, quando surgia em salões cariocas, o método de alisamento custava 20 vezes mais que hoje, atualmente a inovação em estética está cada vez mais presente e permitindo movimentar em larga escala esse segmento.

Esse fundo introdutório, na verdade, tem como objetivo mostrar um movimento no qual o Brasil ingressou, o do consumo. A partir especialmente da abertura do mercado brasileiro ao mundo, proporcionado pelo presidente Collor, passamos a expor a economia doméstica à competitividade do mundo. Se na época foi lançado o 'fusca do Itamar', logo em seguida percebeu-se que as barreiras eventualmente artificiais criadas para falsamente proteger a economia não fazem bem. Especialmente ao consumidor, que passa a pagar mais caro por aquilo que seria disponibilizado ao mercado por valores bem mais reduzidos, caso contássemos com empresas e um mercado eficiente. Ou seja, fica no mercado quem de fato deve ficar. 

O Fusca perdeu espaço, o Lada Niva não teve saída e na época lembro do lançamento do Uno Mille. Um veículo com plataforma internacional, produção seriada e eficiente, custo de produção menor e por consequência preços de revenda igualmente mais acessíveis.

Se a abertura da década de 1990 deveria ter sido mais paulatina e criados programas estatais de apoio para que as empresas se enquadrassem no modelo internacional de competitividade, tudo bem. Se os interesses sindicais ou falsos nacionalismos foram afetados com as privatizações, paciência. Isso tudo pode ser discutido, mas uma coisa é fato: O Brasil, e em especial os consumidores, ganharam e muito com isso.

Se hoje esse mercado citado de estética e beleza é bilionário; se o Brasil está entre os mercados que mais gasta e mais cresce neste segmento, significa apenas uma coisa: a massa de consumo brasileira cresceu, o poder de compra da população foi elevado.

E por quê? Lhes digo: 

 – porque o Brasil, quando exposto ao mercado internacional, obrigou-se a evoluir e ser mais eficiente, sob pena de as empresas nacionais serem extintas

 – porque conseguimos, a partir do Plano Real em 1994, alcançar um nível de estabilidade em que as pessoas podem, primeiro, fazer poupança. Segundo, planejar gastos que não sejam corroídos pela inflação.

Viva a chapinha!

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