Tem inflação? A função da Moeda está corroída!
Sexta, 21 de Março de 2014

Parte II

Inflação = aumento generalizado de preços

Hiperinflação = inflação fora de controle

Quando uma nação passa por períodos de hiperinflação, como é o que ocorreu com severidade no Brasil durante os anos 1980 e 90 (e América Latina de uma forma geral) a corrosão da função de reserva de valor da moeda apresenta resultados impactantes. 

Dentre toda a população, as classes de mais baixa renda efetivamente são as mais prejudicadas. Esse efeito é considerado a regressividade da inflação, ou seja, quanto menor a renda do cidadão, maiores serão os efeitos devassos da inflação em seu poder de consumo e poupança.

Não é muito difícil captar que quanto maior a renda, maiores serão as opções que aquele cidadão terá para preservar seu patrimônio, seja pela transformação de sua renda em imóveis (que em tese não são corroídos – ao menos não na mesma velocidade - pela inflação), ou por meio de outros produtos financeiros, como aplicações e mesmo a reserva em moeda estrangeira. Certamente virá à mente dos leitores o uso comum de ‘guardar’ dinheiro em dólares, ou mesmo converter despesas, renda e preços na moeda americana.

De outra parte, igualmente é fácil denotar que as menores rendas não terão muita margem para economias/poupanças e quase sua totalidade será dispendida imediatamente em itens de consumo, como alimentação, higiene e vestuário. Como esses são os bens que geralmente em épocas de inflação sofrerão maior acréscimo de preços, o poder de compra será ainda mais corroído. Lembram daquele velho (alguns ainda seguem) hábito do rancho mensal? Veio daí, pois esperar para usar o salário para adquirir produtos no final do mês era o mesmo que poder comprar 30% menos em quantidade.

A propósito, recentemente estive na Argentina, que como todos sabem passa por situação econômica delicada. Diz-se que a inflação real é muito superior à oficialmente divulgada. A cena era exatamente a descrita acima: filas para aquilo que proporcionalmente mais demanda a renda da população, quer seja, o supermercado. Os preços estão elevados (comparativamente aos bons encontrados no passado neste país, especialmente sobre os bens de consumo de alimentação) e a oferta de produtos não é tão diversificada e nobre, mesmo em grandes redes mundiais presentes no país. A propósito, estabelecimentos foram recentemente fechados na região de Buenos Aires por não respeitarem os preços fixados pelo governo.

Isso igualmente foi artifício (sem resultado efetivo) no Brasil, quando o governo tenta artificialmente determinar os preços a serem praticados pelas empresas.

Mais uma vez, melhor que as gerações atuais não convivam com inflação, não faz falta...

Comentários