Você e sua equipe conhecem o seu negócio? Parte 2
Sexta, 18 de Abril de 2014

No outro dia tratamos de uma situação que demonstrou que pessoas antigas em uma organização muitas vezes têm um conhecimento intrínseco e subjetivo que ninguém consegue mensurar. São aqueles casos em que o programa ERP, as planilhas, os procedimentos e mesmo os treinamentos não conseguem facilmente repassar.

Um grande colega de trabalho e irmão sabiamente sempre diz a respeito do tema: “uma empresa é como uma árvore. Todos nós vemos muitas coisas sobre ela como as folhas, vemos os troncos, os frutos, a sombra que ela transmite, mas não conseguimos visualizar outras, como as raízes”. Elas, a propósito, são fundamentais e suportam tudo aquilo que visualmente é presenciado acima da superfície e que aparentemente formam a árvore e dá os frutos.

Assim é a cultura de uma empresa. Nem todos veem, mas ela está lá, fundamentando as decisões do presidente ao porteiro, demonstrando a forma com as coisas funcionam, justificando as atitudes e posturas dos profissionais que fazem parte dela, entre si e perante fornecedores e comunidade. É o ‘jeitão’ do negócio.

A cultura empresarial representa um ativo (nem sempre, mas muitas vezes) valioso. A continuidade de um negócio pode depender de como as pessoas entendem, absorvem e bem usam dessa cultura, que muitas vezes não está em nenhum procedimento escrito ou manual de conduta. Geralmente ela é sinônimo e confunde-se com as pessoas mais antigas no negócio e aí vem a outra face da moeda e as ciladas.

Desde que se moldem, aprendam novas tecnologias e a forma de fazer as coisas, ou seja, se reinventem a todos os dias, assim como as empresas são obrigadas sob pena de desaparecerem, as ‘placas de patrimônio’ são essenciais. Podem, entretanto, ser entraves sérios ao crescimento e manutenção do negócio, se não evoluírem com o mercado, as tendências, o tempo e as novas oportunidades. Às vezes não precisam ser colaboradores antigos para terem o mesmo desafio.

Continuo citando o outro exemplo a respeito do tema, que aconteceu em uma rede de farmácias consagrada. Fui em busca de um item convencional, de higiene pessoal e pedi à vendedora se havia outras opções. Prontamente a resposta (mais fácil e rápida) veio: “não, essas são as únicas que temos”. Ok, colhi o produto e me dirigi ao caixa. No curto percurso de uns 3 metros (quem sabe 2) passei por um expositor com mais daqueles produtos, ainda mais baratos, que atendiam minha necessidade naquela ocasião e, pasmem, de marca própria da rede! Ou seja, estava na mão daquela vendedora me dizer o que seria uma boa opção para meu consumo e ela conseguiu NÃO ajudar o seu negócio, a sua marca. 

Tem que se reciclar: antiguidade não é sinônimo de experiência. Juventude necessariamente não é falta dela.

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