Saiu o asfalto Boa Vista-Palmeira?
Sexta, 15 de Novembro de 2013

Como é confortante perceber que os temas que temos abordado fazem sentido. O programa de notícias dominical da Globo do último domingo tratou sobre os custos de transporte, especificamente sobre as eclusas pelo Brasil não conclusas (até rima! só não combina com desenvolvimento).

Esse foi exatamente o tema de uma coluna passada, quando abordamos sobre a de Bom Retiro do Sul e as de Welland, no Canadá. O fundamento foi o mesmo. Enquanto que a produção de grãos tem um custo de R$18,00 se transportado via rodoviária, cairia drasticamente para R$1,00 se utilizado o modo fluvial. Quase surreal.

No entanto essa economia em logística não se obteve em algumas regiões como no Pará, no qual a eclusa foi construída, mas esqueceram de um pequeno detalhe: as pedras no percurso, que impossibilitam a navegação e custarão “outros tantos” o valor da obra, sem perspectiva real de quando sairá.

Isso me faz lembrar dos anos de criança. A cada trajeto Frederico-qualquer-cidade-passando-por-Palmeira-das-Missões, a chuva representava um obstáculo deveras grande. O procedimento padrão era ligar para a ervateira do trevo em Boa Vista das Missões para saber das condições de tráfego sobre a lama. Além disso, a segunda melhor informação vinha dos carros que haviam passado no trajeto: e aí, passando? A terceira fonte só seria obtida no próprio trajeto, naquela “subida” longa. De longe já sabíamos o tamanho da aventura.

Anos se passaram e muitas vezes convivíamos com a demarcação com postezinhos de madeira, a planagem e a primeira camada de brita, preparando o tão esperado asfalto. Passavam-se mais anos e isso era consumido novamente pelo barro, chuva e as estações. Tornavam a retomar os trabalhos, digo, refazer os trabalhos. Novas demarcações, novas pedras britas e aí vai!

O que sei por alto é que, no mapa, aquele trajeto deve ter sido asfaltado uma três vezes, mas não no nosso chão, ou seja, aquela sobre o qual de fato transitávamos. E isso, não tenhamos dúvidas, seguiu o mesmo princípio das eclusas incompletas citadas no início: mal pago, pago em dobro, triplo... E novamente quem pagou esse “almoço”? A nossa carga tributária, nós.

Mas, saiu o asfalto!

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