Tem inflação? SELIC nela. Tem Eleição? Tira SELIC dela.
Sexta, 30 de Maio de 2014

Um e quem sabe o principal instrumento governamental de controle de inflação são as taxas de juros.

A taxa SELIC (Sistema Especial e Liquidação e de Custódia), por sua vez, é a taxa básica que baliza o mercado no Brasil e é usada como instrumento de política monetária. Sempre que há uma inflação acima da meta, ou do desejado, a tendência é que ocorra uma intervenção do Copom (Comitê de Política Monetária) no sentido de ajustar a taxa SELIC. Se o mercado real (de bens e consumo, os negócios propriamente ditos) está lento, o oposto também é utilizado, ou seja, há uma redução da SELIC para incrementar o nível de atividade econômica.

Bem em miúdos é assim que funciona: se a taxa de juros for baixa, proporcionalmente o custo do dinheiro oferecido pelas instituições financeiras será baixo. Os indivíduos receberão pouco rendimento por aplicar recursos e na decisão entre guardar e gastar, poderá tender a gastar. 

Se há incertezas, especialmente sobre o que acontecerá no futuro, e se a taxa de juros for mais alta, o custo do dinheiro emprestado será mais elevado. Um indivíduo (empresa) que necessitar de recursos, pensará mais entre fazer um investimento/gasto de consumo ou deixar guardado. Se tem disponível, preferirá deixar aplicado. Se não tem e pretende investir/gastar, não vai tomar essa decisão. 

No limite, demanda/consumo acelerado para uma mesma produção/quantidade de produtos oferecidos no mercado, significa aumento de preços (inflação). Os indivíduos disputarão pelos mesmos produtos e a decisão estará em quem aceita pagar um preço mais alto.

Enquanto que o presidenciável Eduardo Campos já prega uma maior autonomia do Banco Central (BC) - o executor da política monetária, tantos outros em tantas eleições já apregoaram o mesmo. Igualmente as oposições irão jogar aos quatro ventos que, ainda que autônomo, haverá uma pitadinha de interesse político para que o mercado financeiro faça com que o mercado de bens seja o mais favorável em período de eleição.

Recentemente o Copom interrompeu o ciclo de altas da SELIC, deixando-a em 11% e sem viés de novas elevações, dando a entender ao mercado que a inflação está controlada!? 

A primeira pergunta é: o BC trabalha para atingir as metas de inflação definidas pelo governo (que atualmente são de 4,5% - centro da meta), com uma banda de 2 pontos percentuais, ou seja, podendo chegar de 2,5% (piso) a 6,5% (teto da meta). O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses foi de 6,28% em abril (maior que os 6,15% e março). Será que já é hora de parar o aperto monetário?

A outra é, será que o governo está abrindo mão da meta de inflação para favorecer o consumo (através da facilitação dos financiamentos e empréstimos) e deixar os eleitores satisfeitos para outubro?

Dá-lhe inflação, longe de nós!

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