A estória do horóscopo e a história do governo: tudo é a repetição do repetido?
Sexta, 20 de Junho de 2014

Era uma vez uma estória que retratava uma história.

Vamos à estória:

Ouvi em certa ocasião alguém comentar sobre um caso que teria acontecido com o escritor de um periódico. Ele era o responsável por semanalmente suprir aquele meio de comunicação com os horóscopos dos signos, que como todos sabem tratam das questões vinculadas aos astros, zodíaco e outras coisas, sobre as quais eu não seria o melhor especialista em comentar. 

Igualmente não sei qual seria a formação, experiência, embasamento ou credibilidade daquele personagem, mas dá-se conta de que fazia um trabalho demorado todas as vezes que montava os referidos mapas astrais. 

Contam, no entanto, que pelo apuro da rotina ele não conseguiu preparar a tempo as previsões para os signos de uma determinada edição e, sem alternativas, tomou uma decisão arriscada. Colheu em seu acervo passado algumas anotações e publicou novamente aquilo que já havia sido veiculado. Passaram-se alguns dias, semanas e aquilo não teve maiores repercussões. Em razão disso, ele passou a tomar essa atitude como rotina, simplesmente ‘embaralhando’ a sorte dos signos e as dispondo conforme dados aleatórios, como os dados de fato jogados em uma mesa de casino. 

Conta a lenda que isso continua sendo feito até hoje.

Agora a história:

Esses dias atrás me peguei lendo um jornal de circulação interestadual e, como sempre, após passada a leitura dinâmica pelas partes mais gerais, me detive no caderno de Economia. Via uma notícia relativamente ao governos, informando através de seu Ministério da Fazenda e Banco Central de que a inflação estava sob controle, que os receios do mercado estavam contidos e de que encerrava-se um ciclo de aperto monetário. É o discurso governamental de tranquilizar os mercados, minimizando a incerteza, ainda que a casa esteja caindo.

Esse processo basicamente estava se dando pela parada na escalada das taxas de juros, neste caso a SELIC. Mas quando passei por esse dado, tive a impressão de que estava perdendo algo. Alguma coisa não estava certa, saltava aos olhos e até poderia ser um erro de correção de redação, ou coisa do gênero. A taxa de juros não estava certa, era indicada como 7%. Pensei, repensei, revisei, até descobrir: estava lendo um jornal de exatamente um ano atrás!

Doze meses defasado, mas parecia tão atual, os mesmos personagens, as mesmas expressões, o mesmo contexto, mas com conteúdo diferente na essência. Em resumo, parece que a história se repete. 

Espero apenas que nos demos conta de que o escritor dos horóscopos está lá, a reprisar em momentos diferentes a mesma história, só porque casa melhor àquela circunstância.

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