Cartão de crédito e Copa do Mundo: é tudo a mesma coisa?
Sexta, 11 de Julho de 2014

Diz um ditado que a necessidade ensina a pescar.

Historicamente o Brasil foi conhecido por seus problemas severos de inflação, essencialmente durante os anos 1980 e 90. O poder de compra era corroído, caso o indivíduo não fizesse uso imediato de sua renda ou tivesse formas adequadas de preservá-la.

Justamente em razão disso, o sistema financeiro nacional brasileiro pode ser considerado um dos mais avançados do mundo. Todo o sistema de pagamentos e recebimentos teve saltos de crescimento significativos, fazendo com que as transações fossem seguras, precisas e ágeis. Não apenas o Sistema Brasileiro de Pagamentos mais contemporâneo (com as TEDs e DDAs), mas muitos mecanismos criados pelo governo fizeram com que o Brasil fosse sempre referência mundial no tema.

Apenas a título exemplificativo, um cheque nos Estados Unidos, se emitido na costa oeste (como na Califórnia), demoraria mais de uma semana para ser compensado na conta do emissor, caso fosse depositado em uma conta bancária na costa leste (a exemplo de Nova Iorque). Isso poderia propiciar calotes e falta de liquidez pela defasagem de prazos. Casos como o citado seriam quase que fatais em momentos de hiperinflação, pois muito valor se perderia no decorrer desses dias. 

Se abria-se mão no Brasil da remuneração overnight, de curtíssimo prazo, e os administradores gastavam boa parte do seu tempo pensando e executando estratégias de  engenharia financeira, grande parte do ganho (ou perda) de algum negócio ou cidadão concentrava-se nessa habilidade. No Brasil, diferentemente dos EUA, aquele cheque citado compensaria sempre na ‘virada da noite’, no Sistema de Compensação, de sorte que ao “mesmo momento” que emitido (no dia de competência), já seria debitado da conta do emissor e, sujeito a regras de compensação, logo creditado na conta do depositante.

Em contrapartida, outros países foram muito mais precoces em sistemas eletrônicos de pagamento no varejo. Pelo menos já em 2000, a autorização de uma compra em uma loja através de cartão de crédito ocorria por meio de assinatura ‘digital’ em uma tela de touch, coisa que nem nos dias de hoje temos disseminado no Brasil. 

A propósito disso, os cheques estão caindo no desuso e cada vez mais os meios eletrônicos em alta. 

Disso concluímos mais uma coisa: o passado não garante o futuro! 

Se estávamos na frente na compensação dos instrumentos em papel, hoje continuamos atrás relativamente aos eletrônicos. 

Se éramos o país do futebol e estávamos na frente no quesito estrelas na camisa, hoje já não podemos contar que esse ‘papel’ perdurará.

Bom final de semana!

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