Qual será o próximo costume perdido?
Sexta, 25 de Julho de 2014

A Economia, também denominada Ciências Econômicas, está incluída no grupo nas Ciências Sociais. Ela, diferentemente das ‘puras’ como Química, Física e Biologia, não conta com a possibilidade de experimentos em laboratórios antes de lançar para consumo humano um medicamento por exemplo, ou assegurar a resistência e funcionalidade de uma liga metálica que será utilizada no automóvel que rodamos. A Economia não possui um mecanismo de testar hipóteses a priori, fazendo tentativas sem afetar os indivíduos.

O seu laboratório, na verdade, é a sociedade. Ou seja, é nas relações individuais e coletivas em que ela encontra resposta para suas teorias, hipóteses e conceitos. Justamente por essa razão, quem trabalha com as Ciências Sociais preza muito o método de observação e é isso em grande parte que fazemos nesta coluna, interpretando-as e vinculando-as com a teoria palatável.

Existem sempre costumes que com o passar do tempo se confirmam e são reafirmados, são extintos ou modificados. Esses dias, ao abrir a carteira, me dei conta que aquele costume de se ter a foto dos pais, ou dos filhos dentro dela, já não é mais fato consumado. Agora a maioria delas é mostrada na tela dos celulares (sim, porque chegamos a ter mais que um, e que a propósito estão cada vez maiores e parecidas com tablets). E olhem só, se o Motorola 'tijolo’ era ‘o cara’ quando lançados os celulares, depois o legal foram celulares cada vez menores, mais portáteis e ‘invisíveis’, o que já não vale mais hoje.

Se há não muito tempo era rei quem tinha uma filmadora, daquelas que se escorava no ombro, e depois as mais portáteis, já não é mais. As câmeras fotográficas então, eram o máximo, só superadas quando vieram as digitais. O que se percebe hoje, pelo menos por enquanto? Temos a consolidação de vários aparelhos com funcionalidades diferentes em um único dispositivo, o celular. Ele tira fotos, filma, conecta-se à internet e a partir daí serve para qualquer propósito, especialmente com os aplicativos desenvolvidos para eles.

Não é mais moda andar com um pente e espelhinho no bolso. A propósito, nem as mulheres usam mais o espelhinho para se maquear ou conferir o cabelo. Agora se olham na câmera invertida do smartfone (e aproveitam para tirar um selfie, ou groupie). Fico imaginando se comprariam a confiança dos índios com o espelhinho como em 1500 ou com mega-tablets com funcionalidades de previsão do tempo, sensor de temperatura para caçar, ou localização GPS para andar pelas matas e rios.

Se os gadgets (equipamentos coqueluche) eram os celulares e depois os Ipods para música, hoje quem sabe são os tablets e headfones. Se é que de ontem para hoje já não mudaram (significativamente), pois isso não é instantâneo, mas no limite vai acontecendo segundo a segundo.

Se alguns costumes são perdidos, outros que nem sabemos quais estarão incorporados em nossas vidas antes que percebamos.

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