O que acontece quando cada um não faz sua parte?
Sexta, 29 de Agosto de 2014

Quando escrevia essa coluna tivemos a surpresa desagradável de que seria interditada a ponte sobre o Rio Uruguai em Iraí, divisa RS-SC. Remexi meus pensamentos para não escrever sobre o tema, mas não consegui. Fiquei imaginando as épocas medievais, ou os anos passados em que distâncias físicas eram um problema. Mas nos dias de hoje, que em horas chegamos do outro lado do mundo (e até na estratosfera)?

É quase inacreditável isso acontecer. 

Se uma empresa fizer uma alteração em sua planta e não cumprir todas as burocracias, será penalizada. Se ela não se planejar e não atender o cliente, será penalizada (pelo mercado e pelo cliente, podendo até mesmo “virar pó”). Se a empresa não se assegurar de que tenha os técnicos responsáveis previstos pela lei, será penalizada. Se esquecer de pagar a taxa para ser fiscalizada pelo Ibama (isso mesmo, além dos tributos escrachados que já servem para manter a máquina pública), tem que pagar uma taxa anual para, caso for fiscalizada, já esteja cumprindo com sua obrigação (sei lá, deve ser para pagar o deslocamento). Se uma empresa não fizer os programas de segurança, será penalizada. 

Não quero incomodar vocês com coisas que incomodam, (às vezes não agregam), pesam, seguram, retardam as atividades empresariais, porque já devem estar sem paciência só de escutar essa migalhinha do montante total dos entraves existentes.

Agora, o que acontece com o Estado quando ‘simplesmente’ informa: a partir das 18 horas estará fechado o acesso principal do Rio Grande do Sul com o resto da maior parte do Brasil; do resto do Brasil com o Sul do Brasil; das regiões e municípios do Oeste Catarinense e Paranaense que tem ligação intrínseca com o RS???

O que acontece quando apesar da estrutura paga pelos cidadãos a superestrutura governamental não dá conta de planejar, prever e assegurar que tenhamos as condições mínimas de deslocamento e até mesmo segurança? O que ocorre quando ao invés de simplesmente se trancar uma via não se dão alternativas a ela? Por exemplo, construir pontes provisórias, usando a Força Militar inclusive, para atender mesmo que deficitariamente o fluxo? Ou colocando-se uma balsa antes de fechar, que deveria ser arcada pelos tributos já pagos (mas vamos lá, mesmo que cobrada)? Ou se, pelo menos, dessem condições aos acessos alternativos e mais longos que há? Ah, não tem tempo para isso? Isso é emergencial! Temos exemplos de que isso é necessário e possível, bastar querer e fazer com a máquina pública esteja direcionada para isso.

O que acontece quando quem deveria estar no local antes da interdição tem previsão de vir vistoriar apenas 2 dias depois do fato? É como se alguém falecesse e depois do enterro viéssemos ao funeral para consolar os familiares.

O que acontece? 

Ao menos indignação. Ao menos vontade de chacoalhar o status quo. Mobilização para mostrar que precisamos de competência, comprometimento e no mínimo respeito da gestão pública.

Comentários