As áreas comunitárias acabarão com a tragédia dos feudos medievais?
Sexta, 29 de Novembro de 2013

 

Vamos lembrar um pouco de História? Durante a Idade Média, a Europa passou por uma transformação social e com impactos geográficos, proporcionando uma organização social diferente. É quase como que nosso velho Barril: em algum momento da história alguém decide passar mais que uma noite no parador e cria suas raízes, trazendo outros consigo, desenvolvendo atividades econômicas e formando núcleos sociais.

Naquela época foram os Feudos, uma organização em que camponeses agrupados em aldeias prestavam serviços de vassalagem a um nobre (senhores feudais). Havia, no entanto, uma parte das terras destinadas de forma comum, grosseiramente comparadas às nossas praças atualmente. Daquelas glebas de terras todos poderiam fazer uso.

É também dessa época que surgiu o embasamento para um conceito econômico, chamado Tragédia dos Comuns. O caso é mais ou menos assim:

- qual banheiro geralmente as pessoas cuidam mais no uso para manter limpo, o nosso de casa, ou aquele que todos usam na praça, no shopping, no parque de exposições durante um evento?

- qual flor as pessoas tem mais cuidado para não pisar, aquela no seu quintal para a qual olham todos os dias ou aquela que está no meio do seu caminho mais curto para atravessar um grande parque?

Não precisamos mais exemplos para elucidar qual a lógica desta teoria, resumida por aquela máxima de que "o que é de todos, é de ninguém". Isso no limite é verdade, especialmente se relevarmos o nível cultural de uma comunidade, o senso de união e sustentabilidade nos quais um grupo está imbuído.

No entanto, há exemplos reais de que a união de comunidades em torno de um senso comum podem ser realidade, não apenas utopia. Recentemente em uma revista americana, a matéria de Heather Hansman (Free for All) tratou de uma experiência em Seattle/EUA de sustentabilidade e rejeitando a Tragédia dos Comuns. É quase que um sonho (muito bom), se não fosse verdade. Em uma área pública denominada Beacon Food Forest, qualquer um que quiser pode plantar e colher os vegetais e frutas disponíveis (e isso tem funcionado). Pelas estimativas, terão mais produtos disponíveis do que pessoas com quem compartilhá-las.

Em matéria também recente, a Rede Globo tratou sobre uma horta comunitária na favela e se pesquisaremos, felizmente encontraremos outros exemplos mais ou menos desenvolvidos pelo país, como em São Paulo ou mesmo no Rio Grande do Sul.

Certamente casos como esses servem para refletirmos e revermos conceitos antigos. A verdadeira tragédia pode ser para aqueles com um pensamento menos altruísta e defasado, sem espaço para pensar o espaço coletivo. Estarão vivendo em feudos improdutivos.

Pense nisso!

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