Não devemos vender e nem comprar coisas
Sexta, 14 de Fevereiro de 2014

Tem que ter isso, aquilo ou você não é ninguém. Isso nega nossa humanidade e nos rotula enquanto consumidores, somente consumidores e passamos a SER o que compramos. Sem estilo pessoal, sem identidade, mas com a estampa da estação. A nossa imagem passa a ser um conjunto de peças de roupa e não mais a moldura coerente de quem realmente somos.

As roupas são ferramentas de comunicação e é impagável a sensação de ter a oportunidade de escolher o que realmente expressa a nossa identidade, o que é coerente com o nosso estilo de vida e ressalta as nossas singularidades. É tranquilizador se olhar no espelho e reconhecer com clareza o rótulo que escolhemos para apresentar o conteúdo da nossa embalagem, da nossa essência!

Consumir deveria ser substituído por usar! Devemos deixar o papel de consumidores e assumir atitudes de usuários conscientes, porque cada nova aquisição deveria ser consequência de uma experiência vivida com atenção e reflexão — cheia de sentidos. Cada novo produto adquirido trazendo consigo o “estou precisando!”, chegando no closet e fazendo a diferença no conjunto de peças que já temos. Essas noções deveriam direcionar quaisquer compras. Não deveríamos ser totalmente  dependentes e influenciáveis àquilo que nos é oferecido para desejar e consumir. O desejo e a motivação da compra deveriam vir de dentro e não ser estimulado do lado de fora. 

O conflito está no fato de se vender coisas como se o que fosse comprado fosse mais que isso, fossem valores. Quem compra motivado pelo estímulo de fora sente prazer pela conquista, mas quando procura no espelho todo o “pacote extra" e não acha, precisa comprar de novo para sentir o prazer momentâneo novamente e assim a roda do mercado gira. Quem compra motivado por demandas internas, refletidas, sente satisfação não só pela conquista, mas também a cada uso útil, versátil e gerador-de-segurança do que foi adquirido e na sensação de ser quem realmente é.

É essencial se perguntar: o que é importante? E “o que quero sentir em frente ao espelho”? É o primeiro passo para escolher com mais satisfação e mais acerto. E o tempo que é gasto seguindo as blogueiras de moda, por exemplo, poderia ser substituído por exercícios de autoconhecimento. A inspiração passa a ter sentido quando encontra um meio para acontecer com conforto na vida de quem se inspira — não adianta imitar outra vida!

Comentários