Depois do primeiro pecado, o que fez Deus?
Sexta, 16 de Outubro de 2015

Meus amigos e minhas amigas!
Para sempre seja louvado. Sim, louvado, ainda mais que estamos debruçando-nos sobre o pecado humano. Essa reflexão nos ajuda a conhecer melhor a nossa miséria, nossas limitações e as feridas que o pecado deixou em nós. Essa reflexão nos ajuda a entender melhor, também, o poder de Cristo.
E a pergunta de nº 78 do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, é: depois do primeiro pecado, o que fez Deus?
Sim, o que fez Deus? Abandonou a sua criatura a ela mesma? Abandonou a criatura à sua autodestruição? Abandonou e a desprezou? Abandonou e a odiou? Não, não, mil vezes não! Deus não pode odiar; a verdade é a seguinte: após o primeiro pecado, o mundo foi inundado de pecados, inundado, mas Deus não abandonou o homem ao poder da morte. Veio de encontro de sua criatura e veio com uma promessa, e dessa promessa nós temos conhecimento com a leitura de Gênesis 3,15: “quando Deus promete um Messias”.
Quando Deus promete um Salvador, alguém que vai levantar o homem do seu pecado, que vem reconciliar a criatura com o Criador, aí é que entendemos melhor uma frase que é cantada hoje pela igreja, na vigília pascal. Entenderam porque ali em Gênesis 3,15 não podíamos imaginar que essa reconciliação do homem com Deus, que ela seria operada pelo próprio Filho de Deus. Aliás, a humanidade nem sabia que Deus tinha um filho e, portanto, que era pai.
Mas Deus promete vir ao encontro do ser humano com o Seu Filho, e aí a Liturgia Pascal canta: “feliz a culpa que nos mereceu tal redentor”. Aliás, essa é uma ideia que a Liturgia, a oração oficial da igreja, tirou de Santo Agostinho. Veja que ideia feliz teve Santo Agostinho, ousada, eu diria assim. Ele, quase enaltecendo o pecado pelo Redentor, o qual obtemos por causa do pecado.
Claro que com o pecado tudo poderia ser destruído para sempre e nós condenados ao inferno eternamente. Mas esse pecado tocou tanto o coração de Deus, esse pecado tocou tanto na misericórdia de Deus, que nos fez merecer o grande Salvador. Não um salvador, um santo ou um profeta... mas o Filho de Deus.
E aí Jesus vai exclamar: “tanto Deus amou o mundo que lhe deu o Seu Filho único”. Sim, oh! Felix culpa”, dizíamos antigamente em latim, feliz culpa que nos mereceu tal redentor.
Por isso, jamais seremos capazes de cantar devidamente a misericórdia de Deus. Podemos sim, dizer, que o outro nome de Deus é Misericórdia. A misericórdia não é um atributo de Deus, é algo da Sua natureza. É próprio de Deus ser misericordioso, mas jamais poderíamos imaginar que fosse nesse grau. Louvado Deus pela sua misericórdia.

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