O que acontece na agonia do Horto do Getsêmani?
Sexta, 05 de Agosto de 2016

Meus amigos e minhas amigas!

Nesta coluna, alongamo-nos sobre um momento no Credo naquela que, por assim dizer, é a síntese da nossa fé. Estamos na segunda parte: 1) Eu creio em Deus Pai, 2) Eu Creio em Jesus Cristo. Na segunda parte estamos vendo o sentido da oferta de Cristo, do sofrimento dele e da razão de Ele sofrer. Assim, chegamos à pergunta do Compêndio: O que acontece na agonia do horto do Getsêmani? O que acontece naquele momento?

Jesus vive profundamente aquela luta, sabendo que a morte está aí, diante dEle, e humanamente ele reage. Sofre e até pede que o Pai, se possível, afaste aquele cálice, que é amargo demais. Mas o ato supremo de Jesus é a entrega, a obediência ao Pai. É a comunhão com Ele. O pecado nasceu de um ato de desobediência, de orgulho, de querer ser como Deus. Porque o pecado é isso: quando alguém peca, está dizendo: “não aceito a proposta de Deus, o plano, pois eu tenho um plano melhor. É isso o que eu quero fazer”. Rejeitamos o projeto de Deus sobre nós.

Isto é o pecado: uma desobediência a Deus. Jesus nos redime, reconquista-nos para Deus. Obtém-nos o perdão da nossa desobediência. Paulo dirá que ele foi obediente até a morte, e morte de cruz. Então, diria que aquele momento da Paixão, da agonia, talvez a dor mais forte de Cristo, além daquele enfrentamento à morte. Humanamente, uma reação. Mas veja que para muitos, todo o seu sofrimento e Paixão, sua obediência ao Pai, para muitos seria tudo isso inútil. Seria inútil não por vontade d’Ele, não que seu gesto, não tivesse força vivificadora. Mas muitos não aceitariam, porque é próprio de Deus, que nos deu a liberdade, ser o primeiro a respeitá-la.

Ele não força ninguém nem à salvação. Ele quer que todos os seus filhos vivam ao seu redor, em comunhão e em obediência, mas respeita a decisão daquele filho que pega os seus bens e deixa a casa paterna, mesmo sabendo que vai cuidar de porcos. O Horto das Oliveiras, portanto, e um momento sublime, doloroso e forte da vida de Cristo. É o momento por excelência, onde Ele mostra o seu desejo de viver em comunhão com o Pai. Ou, como diz o Catecismo, para nos salvar Jesus aceita carregar sobre si os nossos pecados, fazendo-se obediente até a morte ao carregar nossos pecados em seu próprio corpo. Queremos agradar a Deus. Aprendamos de Jesus. Aprendamos de Jesus a obediência, a ouvir a vontade de Deus, a procurar discerni-la e executá-la.

É este o grande sacrifício que agrada a Deus: fazer da própria vida uma obediência, viver uma profunda comunhão com o Pai.

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