O Rio Grande Afro
Sexta, 21 de Novembro de 2014

O mês de novembro também é um mês de se cultuar as raízes do povo gaúcho e brasileiro. Nesta semana, no dia 20 de novembro, comemoramos o Dia Nacional da Consciência Negra em nosso país. Na semana que vem, no sábado dia 29 de novembro, a nossa associação realizará o 6º Jantar Africano, na AABB de Frederico Westphalen. 

Este jantar tem o cunho de resgatar nossas origens ressaltando que a cultura Afro faz parte da tradição gaúcha e brasileira. A história do Rio Grande do Sul nos revela que o negro conviveu com o branco lado a lado, especialmente na estância, onde era encarregado do cuidado das crianças, das lides domésticas e de outras atividades. As crianças livres e escravas eram criadas juntas, aprendendo os mesmos costumes e maneiras.

Como diz o nosso amigo e vice-presidente da associação, Samba Sané - africano que há um bom tempo tomou por residência a cidade de Frederico Westphalen - muitos hábitos e costumes rio-grandenses foram herdados pela convivência cotidiana com o negro. Palavras como matungo (cavalo velho, lento, de pouca utilidade) e porongo (planta da qual é fabricada a cuia para o chimarrão), são algumas das palavras de origem negra incorporadas pelo “idioma gauchês”.  Nas artes também houve influências marcantes do negro nas danças, no ritmo musical, nos instrumentos e no Carnaval. Instrumentos como o atabaque (tambor ou tamborinha), o berimbau e o sopapo, são conhecidos por todos. A capoeira, por si, é uma verdadeira arte que alia a dança, ritmo, música e esporte.

A fabricação de artefatos de couro era responsabilidade não só de homens livres, mas também de negros. A própria gastronomia gaúcha foi temperada pelas mãos sábias das negras velhas, que se esmeravam para fazer gostosos quitutes em forno e fogão. Heranças como o mocotó, a feijoada, o quibebe, a pipoca, canjica, mogango, quirera torresmo, os molhos condimentados, as doçarias saborosas, são bem evidentes na culinária rio-grandense, além da culinária de cunho religioso e cheio de misticismo. E no vestuário a mulher gaúcha assimilou com graça os adereços como brincos, colares, pulseiras, figas, chinelos, cabeção rendado, turbante, saias amplas e rodadas, babados e rendas, entre outros.

No terreno do lendário sul-rio-grandense também verificamos a presença do negro. Na mais genuína lenda gaúcha, o Negrinho do Pastoreio, a figura central é um jovem escravo mandado ser açoitado até á morte por seu senhor. E o Saci-Pererê é outra figura lendária que aparece associada ao negro em nossa cultura gaúcha.

O Jantar Africano é uma festa de integração cultural e quem participa pode viajar no tempo e no espaço e sentir-se, por algumas horas, inserido num ambiente tipicamente africano, caracterizado principalmente pela culinária especializada e pelos shows culturais. Venha participar desta nossa festa de integração cultural!

 

Giancarlo Cerutti Panosso

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