Choupanas Tibetanas
Sábado, 27 de Dezembro de 2014

O final de ano se aproxima. A roda da vida gira e mais um ciclo terrestre em torno do Sol se completa.

O que fizemos e o que deixamos de fazer?

Será que perdemos para sempre a oportunidade desprezada? 

- O tempo não é nada para quem vive na eternidade - onde o passado e o futuro se encontram no presente - mas ele é tudo para quem ainda não topou com o seu destino. E aí, cada segundo tem um valor inestimável...

Nosso corpo físico sofre a ação do tempo. A influência externa tem sua parcela de culpa. Mas é a degradação da alma que mais nos afeta.

A mente pode ser a maior inimiga se nossos pensamentos não forem moldados por um coração pleno de bondade, tolerância e sabedoria. O caminho da mente é o caminho do coração.

Todo findar de ciclo tem em si um momento de “Pralaya”, de dissolução das partes que nos permite a reordenação dos pensamentos, das ideias e das atitudes perante a vida. Esta é uma oportunidade divina que não devemos desperdiçar frente a nossa própria natureza.

Mais do que saber do sentido e da direção que tomamos para alcançar a nossa própria redenção, devemos saber dos motores que sustentam toda esta engrenagem de vida que nos envolve junto não só à raça humana, mas a todos os seres da vasta imensidão. Só assim entenderemos que somos todos irmãos, pertencentes a uma única família, e que o amor divino foi o maior dos impulsos dados por Deus para manter esta sagrada união.

Saber viver o essencial é o grande segredo. Dizia, certa vez, um grande mestre do Himalaia:

“Nós, moradores das choupanas indo-tibetanas, nunca entramos em conflito. Deixamos os conflitos e mesmo as discussões para aqueles que, incapazes de avaliar uma situação de relance, são por isso forçados, antes de chegar a uma decisão final em relação a qualquer coisa, a analisar e avaliar um a um e várias vezes cada detalhe. Aquilo que a maioria das pessoas considera como um ‘fato’ não nos parece mais que um simples ‘resultado’, uma visão do passado que não merece a nossa atenção, atraída geralmente por fatos primários. A vida, mesmo quando prolongada indefinidamente, é demasiado curta para que sobrecarreguemos nossos cérebros com pequenos detalhes - meras sombras. Ao observar o desenvolvimento de uma tempestade, nós fixamos nosso olhar na causa que a produz e abandonamos as nuvens ao capricho do vento que lhes dá forma. Tendo sempre meios à mão para trazer à nossa consciência quando realmente necessários os detalhes menores, nós nos ocupamos apenas dos fatos principais. Por isso, dificilmente estamos absolutamente equivocados, pois as nossas conclusões jamais são baseadas em dados secundários, mas na situação como um todo”. 

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