“Eu sou Folha”
Sexta, 16 de Janeiro de 2015

Parece que meio mundo aderiu à campanha francesa “Je Suis Charlie” (Eu sou Charlie) alusiva ao atentado que matou 12 pessoas e deixou 11 feridos na redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris. A mídia internacional não deixou de frisar que se tratou de um dos ataques terroristas mais violentos da história da imprensa mundial executado por radicais islâmicos.
Matar pessoas sem dúvida é um ato execrável, e nenhum ser humano deve buscar este caminho para tentar resolver as coisas. Quando isto ocorre de maneira violenta e preconcebida, com certeza podemos classificar como terrorismo. Mas será que os dez anos de críticas ácidas ao islamismo e demais religiões feitas pelo jornal Charlie Hebdo através da publicação periódica de caricaturas depreciativas dos líderes religiosos das mesmas também não se configura como um ataque terrorista, só que feito de forma psicológica? Fica a reflexão para que se entenda quem deve ter começado tudo isso...
De qualquer forma, mesmo sendo um fato que mereça a nossa atenção pelo trágico comportamento humano que envolve uma problemática mundial, mais uma vez a mídia nacional brasileira priorizou uma notícia internacional e deslocou as atenções do público para problemas externos.
O Brasil tem problemas internos muito mais graves e peculiares do que os ataques terroristas que atingem os países do hemisfério norte. Os atentados aqui se manifestam sorrateiramente através da improbidade administrativa de nossos governantes, sustentando uma corrupção constante dentro das instituições públicas, resultando na morte de milhares de brasileiros que não recebem o atendimento adequado e em tempo, nas filas dos hospitais, resultando na morte de milhares de cidadãos que andam pelas ruas e becos das cidades onde não existe mais segurança para se circular, resultando na morte de milhares de pessoas que trafegam pelas estradas esburacadas e mal sinalizadas que cortam este país, resultando na morte de milhares de inocentes que se envolvem com as drogas e o mundo do tráfico e contrabando que existe embaixo de nossas próprias barbas. São as barbaridades deste nosso Brasil.
Na França, milhões de pessoas foram às ruas para se manifestar contra o terrorismo que está acontecendo por lá! O povo respondeu rapidamente em prol de seus interesses. Talvez esta resposta imediata venha de uma formação histórica e cultural dos próprios franceses, mas não podemos negar que a imprensa teve uma influência fundamental na movimentação da população.
Aqui no Brasil, precisamos imensamente da atuação da imprensa para mobilizar o povo que anda adormecido e suscetível a tantas formas de terrorismo que se sucedem em nossa sociedade. Precisamos muito do jornalismo ético, independente, isento, apartidário, esclarecedor, promotor da verdade, da justiça, do interesse público e social. Um jornalismo técnico e preciso, sem exageros, sem tendências nem depreciações morais ou psicológicas infundadas. Precisamos da imprensa para melhorar o nosso país. E aqui em nossa região, para onde devem estar focadas as nossas maiores atenções, é a nossa imprensa que deve ser exaltada, para que ela cumpra sempre com a missão social a que foi destinada.             

Giancarlo Cerutti Panosso
 

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