Meu nome é Barril
Sexta, 30 de Janeiro de 2015

Qual é o sentido de um nome? Que importância isso pode ter?
Cada um tem o seu próprio juízo sobre esta questão, mas de um modo geral, ao longo da história da humanidade, os homens sempre buscaram definir os nomes próprios de pessoas, objetos e lugares de acordo com as características, qualidades e peculiaridades associadas aos mesmos. Isto era muito comum entre os povos mais antigos.
A força de um nome se revela de forma muito mais harmônica quando ele realmente está associado às verdadeiras características do ente que representa. Os nativos desta terra eram muito práticos nesta questão, e nossa região é repleta de exemplos revelados pela história das constituições dos nomes, principalmente os associados a locais que posteriormente viraram povoados e cidades. Os índios foram os melhores neste sentido. Basta citar nomes tal como: Iraí (rio das águas do mel), Seberi (rio de pedras preciosas), Erechim (campo pequeno), Ijuí (rio das águas claras) e Caiçara (cerca rústica feita de galhos de árvores). Também surgiram outras denominações, talvez feitas por imigrantes, tal como: Taquaruçu do Sul, Vista Alegre, Ametista do Sul, Rodeio Bonito e Palmitinho. Com certeza dá para se imaginar o porquê desses nomes e o quanto eles estão verdadeiramente associados com as características físicas, geológicas, geográficas ou de vegetação como elementos de preservação da própria história destes locais.
Outras cidades, ainda, receberam o nome de personalidades. É o caso de Vicente Dutra, Tenente Portela, Novo Tiradentes, Getúlio Vargas e Frederico Westphalen. Certamente motivos importantes existiram para que o povo denominasse sua própria terra com o nome dessas pessoas. Mas será que esses nomes são os mais representativos das características locais ou da história originalmente associada àqueles que pela primeira vez ocuparam estas regiões?
O risco que uma cidade tem por esquecer, perder ou extraviar a história original de seu povo é o mesmo risco que enfrenta uma árvore ao serem ceifadas suas raízes mais remotas e profundas.
Desde pequeno, sempre ouvi uma história muito bonita sobre viajantes que cansados e exaustos paravam em um lugar no meio da mata onde havia um córrego de águas muito límpidas e cristalinas. Ali eles saciavam sua sede e aproveitavam para recarregar as energias em meio à natureza. Um dia, alguma boa alma acabou instalando um barril em meio àquelas águas correntes na intenção de que o mesmo servisse de bebedouro aos transeuntes. A partir daquele dia, muitos outros viajantes passaram a desviar seus caminhos só para passar pelo ponto onde poderiam beber água pura e refrescante no meio de suas jornadas. Obviamente, o lugar passou a se chamar Barril, e mais tarde nasceu à sua volta uma belíssima vila com mesma denominação. A partir daí, nunca mais entendi por que o local passou a se chamar Frederico Westphalen...

Giancarlo Cerutti Panosso

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