O Filósofo Ateniense
Sexta, 17 de Abril de 2015

Talvez muitos imaginem que a Filosofia é algo somente para intelectuais. Ainda mais, que estes intelectuais ficam somente reunidos em suas escolas e repartições, confabulando e discutindo sobre as questões humanas e existenciais. Pois com certeza não é só isso, e é bom deixar bem claro a que ponto a Filosofia deve chegar para cumprir com suas obrigações humanitárias.

É certo que um filósofo está sempre estudando, comparando e investigando as Leis Naturais. Descobrir cada parte do quebra-cabeça que compõe o universo faz com que ele se sinta parte dele, a ponto de se confundir com ele. Por isto, estuda coisas que, na maioria das vezes, achamos que jamais serão usadas. Mas esta é apenas uma “primeira caminhada” sua, pois é o entendimento de que tudo está conectado em uma única lei (Deus), o Uno, que permite com que ele passe a encaixar e conectar mais rapidamente cada peça do imenso quebra-cabeça que é o universo e a própria natureza humana.

A dedução lógica é uma poderosa ferramenta que o Filósofo utiliza neste seu divertido trabalho. Por isso, deve casar a religião com a ciência. Por exemplo, imagine-se entrando numa casa arrumada, com uma comida cozinhando no fogão, a mesa posta, um ferro de passar roupas ainda quente... Mesmo que não encontres ninguém, você certamente diria que alguma espécie de vida inteligente esteve ali. Assim um filósofo se porta diante da “surpreendente organização” que ele encontra ao verificar o universo, ou seja, a casa de Deus. A cada inspeção, constatação ou descoberta realizada na Natureza, sempre verifica também que existe relacionada alguma Lei Física de impressionante racionalidade.

Deslumbrado com toda a maravilha de mundo, o filósofo então é tomado de um feliz sentimento que o impulsiona a iniciar sua “segunda caminhada”, que é vivenciar na prática suas descobertas junto aos demais. Assim, chega a hora dele colocar em prática toda a sua experiência teórica e até mesmo intelectual. Significa, em outras palavras, “sair do papel”. 

A Filosofia só é realizada por completo se o seu agente, o homem, que é por essência filósofo, cuidar com suas próprias mãos de seus semelhantes. É o que da Associação Cultural Atena chamamos de Filosofia Ativa. Para tal, o homem precisa desenvolver e executar ações sociais, políticas, culturais etc. Por exemplo, se um filósofo descobriu que a música é um ótimo recurso para alegrar as pessoas e abrandar suas dores e angústias, então ele deve não apenas confabular sobre isto com seus “amigos de academia”, mas arregaçar as mangas e educar esta arte a toda a comunidade. Deve sair de dentro de sua escola filosófica e se misturar com a população em atividades práticas e educacionais, para realmente vivenciar a sua “segunda caminhada” junto aos demais. O mesmo deve ser para qualquer outro exemplo de qualquer área do conhecimento. Em suma, a teoria sem a prática não é a Filosofia realizada. 

É exatamente esta longa e divertida caminhada que buscamos realizar através da nossa associação. Para mantermos a prática da Filosofia Ativa é que desenvolvemos os inúmeros projetos socioculturais que hoje identificam nossa organização. Venha fazer parte desta caminhada.

 

Giancarlo Cerutti Panosso

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