Fraternidade não significa Igualdade
Sexta, 31 de Julho de 2015

Sob o ponto de vista humanitário, somos todos irmãos. Os que negam isso o fazem porque ainda não conseguem perceber esse fato da natureza.
Já comentamos em colunas anteriores o sentido da “fraternidade humana”, além de seu significado estar bem descrito no livro os “Ideais Atenienses”, publicado em 2014 pela ACA (quem ainda não leu, aí está uma boa oportunidade de nos solicitar um exemplar). Todavia, hoje precisamos avançar um pouco mais nesse assunto, tratando do que a fraternidade humana “não” significa.
Por mais estranho que pareça a primeira vez que escutamos isso, é preciso ficar claro a todos que fraternidade humana não significa igualdade. Vamos explicar melhor essa questão pensando num pequeno grupo familiar. Numa família, por exemplo, por mais que possam nascer gêmeos e trigêmeos, o comum é existir diferença de idade entre os irmãos. Isso já representa um bom elemento de desigualdade. Além do mais, inúmeras outras diferenças são verificadas entre os irmãos de uma mesma família, seja na questão do vigor, inteligência, capacidade etc. Sendo assim, fica claro que a fraternidade (irmandade) não carece nem exige a obrigatoriedade da igualdade entre seus membros. A diferença é algo totalmente natural.
Nesse sentido, então, devemos pensar a fraternidade como comunhão de “interesse”, e não como comunhão de “interesses”. Se uma família é rica, todos os seus membros beneficiam-se; se é pobre todos sofrem. Existe, assim, um interesse comum. Contudo, os interesses individuais dos irmãos podem ser, e por muitos anos têm de ser, absolutamente diferentes.
Quais os interesses comuns entre um garoto de quatorze anos e seu irmão de seis? Cada um vive sua própria vida entre amigos de sua idade, com os quais tem muito mais em comum do que com o irmão.
A criança cresce e seus deveres adaptam-se à sua idade; ela não tem de cumprir as obrigações de algum irmão mais velho. Cada um tem seus deveres (o mais jovem deve aprender e servir; o mais velho deve orientar e proteger), mas “todos” devem ser igualmente prestativos e afetuosos, abrindo mão de seus sentimentos pessoais em prol dos interesses da coletividade. Todos devem manter uma amizade muito próxima, um verdadeiro sentimento de unidade, de aproximação, que é o ideal da grande família da humanidade. Não podemos imaginar que só pelo fato de serem irmãos os homens devam interessar-se pelas mesmas coisas ou ter os mesmos sentimentos. Os anseios e as obrigações diferem naturalmente de acordo com a idade e potencialidade de cada um. Essa é uma característica fundamental da fraternidade humana.

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