A Educação Discipular
Sexta, 07 de Agosto de 2015

Desde os tempos do Brasil Colônia, enfrentamos o problema grave da falta de educação em nosso país, uma educação à maneira das escolas tradicionais milenares, que sempre valorizaram a verdadeira interação entre mestres e discípulos. Para entendermos as consequências da falta desse tipo de educação, precisamos avaliar algumas questões fundamentais.
Ao ser humano é permitido fazer escolhas. A própria vida se traduz numa sequência de ações decorrentes das decisões que tomamos, voluntária ou involuntariamente. E por isso temos a maior parcela de responsabilidade sobre o nosso destino, sobre as consequências de nossas atitudes. A cada novo dia podemos levantar dispostos para trabalhar, para produzir, ou podemos nos deixar levar pela preguiça, pelo desânimo, pelo nada fazer, pela escolha do caminho mais fácil... A cada refeição podemos optar por alimentos saudáveis que fortaleçam a nossa saúde, ou podemos negligenciar a boa alimentação. A cada encontro com os demais seres viventes podemos ser cordiais e companheiros ou então podemos ser hostis e desinteressados por suas existências.
Mas se temos tanta liberdade assim de escolher o melhor caminho para se viver melhor por que então não o fazemos? Por que muitas vezes optamos pelos inúmeros atalhos que nos levam aos desfiladeiros do sofrimento?
Uma das maiores causas é a falta de formação, de educação tradicional.
O ser humano deve ser educado desde seu nascimento até o momento em que ele se sinta capaz de manifestar com convicção as suas virtudes (cordialidade, nobreza de espírito, equilíbrio, coragem etc.). Essa educação deve ter caráter multicultural, buscando despertar em cada indivíduo a consciência coletiva e a percepção do todo, atrelada a pelo menos três componentes essenciais da boa formação: a disciplina, o serviço e a devoção.
A disciplina permite ao aprendiz, ao ser humano, trilhar automaticamente pelos caminhos já seguramente traçados quando em momentos de sua vida ele se encontrar perdido em suas dúvidas, anseios ou devaneios. É pela prática constante das obrigações do dia a dia que o caráter do homem vai se moldando e se fortalecendo contra o perigo da corrupção, em amplo sentido.
O aprendiz também deve manter uma atitude de estar sempre a serviço de seu mestre ou do sistema de educação a qual está inserido. Essa predisposição, obviamente, deve ser acompanhada da investigação, buscando-se sempre o entendimento da necessidade de realização de cada atividade. Estar a serviço é estar pronto para realizar a parte que lhe cabe em toda esta estrutura de formação.
A devoção, por sua vez, envolve a fé que o aprendiz deve ter na caminhada que passa a realizar. É preciso acreditar realmente que seguindo os passos dos mestres e educadores ele estará apto a fazer as melhores escolhas e tomar as melhores decisões em sua vida que o conduzirão à felicidade.

Comentários